HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2022
Paciente gestante, 35 semanas, apresentou quadro de dor em andar superior do abdome irradiada para dorso, associada a vômitos. Exames laboratoriais sugestivos de pancreatite aguda. Recebeu dieta oral no terceiro dia, com boa aceitação, e os exames laboratoriais normalizaram. Realizou US de abdome que evidenciou vesícula biliar repleta de cálculos de 0,2 a 0,5 cm, sem dilatação das vias biliares. Qual a melhor conduta neste momento?
Pancreatite biliar aguda na gestação com melhora clínica e laboratorial → Acompanhamento clínico pré-natal e colecistectomia pós-parto.
A pancreatite aguda biliar na gestação, após resolução do quadro agudo e sem complicações como coledocolitíase ou colangite, geralmente é manejada clinicamente durante a gravidez. A colecistectomia é postergada para o período pós-parto, a fim de evitar riscos cirúrgicos desnecessários para a mãe e o feto, desde que não haja recorrência ou complicações.
A pancreatite aguda na gestação é uma condição séria, sendo a colelitíase a causa mais comum. O diagnóstico baseia-se na clínica (dor abdominal, vômitos), elevação de amilase/lipase e exames de imagem, como a ultrassonografia abdominal, que é segura na gravidez e pode identificar cálculos biliares. O manejo inicial é de suporte, semelhante ao de pacientes não gestantes, com hidratação venosa, analgesia e jejum. A maioria dos casos de pancreatite biliar aguda na gestação resolve-se com tratamento conservador. Uma vez que o quadro agudo tenha cedido e os exames laboratoriais normalizado, e na ausência de complicações como coledocolitíase ou colangite, a conduta mais segura é o acompanhamento clínico pré-natal. A colecistectomia laparoscópica, embora possível no segundo trimestre, é geralmente postergada para o período pós-parto para minimizar os riscos potenciais para a mãe e o feto, a menos que haja recorrência da pancreatite ou outras complicações biliares que exijam intervenção urgente. A CPRE é reservada para casos de coledocolitíase com colangite ou icterícia obstrutiva.
A colelitíase (cálculos biliares) é a principal causa de pancreatite aguda em gestantes, respondendo por cerca de 70-80% dos casos.
A colecistectomia é indicada durante a gestação em casos de pancreatite biliar recorrente, colecistite aguda grave ou outras complicações biliares. Em casos de primeiro episódio com resolução, geralmente é adiada para o pós-parto.
A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é reservada para casos de coledocolitíase com colangite ou icterícia obstrutiva persistente, devido aos riscos associados ao procedimento e à radiação.
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