Pancreatite Aguda: Prescrição Inicial e Erros Comuns

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 45 anos vai ao pronto-socorro queixando-se de dor há 12h no andar superior do abdome, intensa, associada a náuseas e vômitos, piora após a alimentação. Desconhece comorbidades e nega uso de medicamentos ou drogas. Ao exame físico, PA 130/92mmHg, FC 128bpm, FR 22ipm, SpO₂ 98% (ar ambiente). A palpação do andar superior do abdome é dolorosa, e não há sinais de irritação peritoneal. EXAMES DE LABORATÓRIO: hemoglobina 16,7g/dL; leucócitos 13.450/mm³; neutrófilos 9.880/mm³; plaquetas 156.000/mm³; proteína C reativa 56mg/L; creatinina 1,5mg/dL; ureia 89mg/dL; amilase 590U/L; lipase 134U/L. Assinale a alternativa que apresenta uma prescrição inicial INADEQUADA nesse caso:

Alternativas

  1. A) Dieta oral suspensa
  2. B) Meropenem IV
  3. C) Morfina IV
  4. D) Ressuscitação volêmica com solução cristaloide

Pérola Clínica

Pancreatite aguda não complicada: ATB profilático NÃO indicado. Foco em hidratação, analgesia e suporte.

Resumo-Chave

Em casos de pancreatite aguda leve a moderada, sem sinais de infecção ou necrose infectada, a antibioticoterapia profilática não é recomendada e pode aumentar a resistência bacteriana. O manejo inicial foca em ressuscitação volêmica agressiva, analgesia adequada e suspensão da dieta oral.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de complicações sistêmicas e locais. A etiologia mais comum é a litíase biliar e o etilismo. O diagnóstico é baseado em dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. A incidência tem aumentado globalmente, e o manejo inicial adequado é crucial para prevenir a progressão para formas mais graves da doença. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas dentro do próprio pâncreas, levando à autodigestão do órgão e à resposta inflamatória sistêmica. A suspeita deve surgir em pacientes com dor epigástrica aguda, irradiando para o dorso, associada a náuseas e vômitos. Exames laboratoriais como hemograma, PCR, função renal e hepática, além de amilase e lipase, são essenciais. A avaliação da gravidade é fundamental para guiar a conduta, utilizando escores como Ranson ou APACHE II, ou a classificação de Atlanta revisada, que define pancreatite leve, moderadamente grave e grave com base na presença de falência orgânica e complicações locais. O tratamento inicial foca na estabilização do paciente. A ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides é prioritária para combater a hipovolemia e melhorar a perfusão pancreática. A analgesia é crucial, e opioides são seguros e eficazes. A dieta oral é suspensa inicialmente, e a nutrição enteral precoce é preferível à parenteral em casos de jejum prolongado. Antibióticos profiláticos NÃO são recomendados; seu uso é restrito a casos de necrose infectada ou infecções extrapancreáticas. O prognóstico depende da gravidade inicial e da resposta ao tratamento, com a maioria dos casos leves resolvendo-se sem complicações maiores.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento inicial da pancreatite aguda?

Os pilares do tratamento inicial incluem ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, analgesia potente para controle da dor (geralmente opioides), suspensão da dieta oral (jejum) e monitorização rigorosa dos sinais vitais e parâmetros laboratoriais.

Quando a antibioticoterapia é indicada na pancreatite aguda?

Antibióticos são indicados apenas em casos de necrose pancreática infectada comprovada ou fortemente suspeita, ou em infecções extrapancreáticas. Não há benefício na antibioticoterapia profilática em pancreatite aguda não complicada.

Como avaliar a gravidade da pancreatite aguda?

A gravidade pode ser avaliada por critérios clínicos (SIRS), laboratoriais (PCR, ureia, creatinina) e escores prognósticos como Ranson, APACHE II ou o escore de gravidade do Revised Atlanta Classification. A presença de disfunção orgânica define a pancreatite aguda grave.

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