Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial no PS

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 45 anos de idade, hipertenso e diabético, deu entrada no pronto-socorro com dor epigástrica intensa há duas horas, irradiando para o dorso, associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresentou PA = 100 mmHg X 70 mmHg, FC = 112 bpm, FR = 22 irpm e SatO2= 95%. O abdome estava distendido, com dor à palpação no epigástrio, sem sinais de defesa. O exame laboratorial revelou amilase sérica = 520 U/L (VR = 30-110 U/L). Nesse caso, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) úlcera gástrica perfurada; realizar radiografia de tórax.
  2. B) infarto agudo do miocárdio; solicitar eletrocardiograma e troponina.
  3. C) colecistite aguda; realizar ultrassonografia abdominal.
  4. D) pancreatite aguda; iniciar reposição volêmica vigorosa.

Pérola Clínica

Dor epigástrica irradiando para dorso + amilase >3x LSN = Pancreatite Aguda → Reposição volêmica vigorosa.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor epigástrica intensa com irradiação para o dorso, náuseas, vômitos e elevação da amilase sérica em mais de três vezes o limite superior da normalidade é altamente sugestivo de pancreatite aguda. A conduta inicial mais importante é a reposição volêmica vigorosa para prevenir a hipovolemia e melhorar a perfusão tecidual, reduzindo o risco de complicações.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, que pode variar de um quadro leve e autolimitado a uma doença grave com falência de múltiplos órgãos e alta mortalidade. Sua apresentação clínica clássica envolve dor epigástrica intensa, frequentemente irradiando para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. É uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e manejo adequado para otimizar o prognóstico. O diagnóstico de pancreatite aguda é estabelecido pela presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados compatíveis em exames de imagem. No caso apresentado, a dor típica, a irradiação para o dorso, os sintomas gastrointestinais e a amilase sérica muito elevada (520 U/L, sendo VR 30-110 U/L, ou seja, mais de 4 vezes o limite superior) confirmam o diagnóstico. A hipotensão (PA 100x70) e taquicardia (FC 112) indicam hipovolemia, comum na pancreatite devido ao extravasamento de fluidos para o terceiro espaço. A conduta inicial na pancreatite aguda é fundamental e deve focar na estabilização hemodinâmica e no alívio sintomático. A reposição volêmica vigorosa com cristaloides (geralmente Ringer Lactato) é a medida mais importante nas primeiras 24-48 horas, visando manter a perfusão orgânica e prevenir a necrose pancreática. Além disso, o controle da dor com analgésicos potentes e o suporte nutricional são essenciais. Residentes devem estar atentos aos sinais de gravidade e iniciar o tratamento de suporte agressivo precocemente para melhorar os desfechos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC, RM ou USG).

Qual a importância da reposição volêmica na pancreatite aguda?

A reposição volêmica vigorosa é crucial para combater a hipovolemia e a hipoperfusão tecidual causadas pela perda de fluidos para o terceiro espaço e pela resposta inflamatória sistêmica, prevenindo a necrose pancreática e a falência de órgãos.

Quais são as principais causas da pancreatite aguda?

As duas causas mais comuns de pancreatite aguda são cálculos biliares (colelitíase) e alcoolismo. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma abdominal, medicamentos e pós-CPRE.

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