HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022
Ana 33 anos de idade, com obesidade grau 1 está internada devido a pancreatite aguda leve. Evoluiu com melhora da dor, 2 dias após o início dos sintomas. Tem diabete melito tipo 2 e hipotireoidismo. Foi submetida a ultrassonografia de abdome que evidenciou vesícula biliar de paredes finas, sem cálculos e com via biliar de 0,4cm. Nega uso abusivo de álcool. Qual é o próximo passo?
Pancreatite aguda sem causa evidente (USG normal) → investigar microlitíase/sludge biliar com ecoendoscopia.
Em casos de pancreatite aguda onde a ultrassonografia abdominal não revela cálculos biliares ou outras causas óbvias, a ecoendoscopia (EUS) é o próximo passo. Ela possui alta sensibilidade para detectar microlitíase, sludge biliar ou pequenas anomalias pancreatobiliares que podem ser a causa subjacente.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de complicações sistêmicas. A identificação da etiologia é fundamental para o manejo adequado e prevenção de recorrências. As causas mais comuns são a doença biliar (cálculos ou sludge) e o alcoolismo. No entanto, em cerca de 10-30% dos casos, a causa permanece indeterminada após a investigação inicial, sendo classificada como pancreatite aguda idiopática. Quando a ultrassonografia abdominal, que é o exame inicial para avaliar a etiologia biliar, não revela cálculos ou dilatação da via biliar, e o paciente nega uso de álcool, a investigação deve prosseguir. A microlitíase (pequenos cálculos biliares) ou o sludge biliar são causas frequentes de pancreatite aguda que podem não ser detectadas pela USG transabdominal. Nesses cenários, a ecoendoscopia (EUS) emerge como a ferramenta diagnóstica de escolha. A ecoendoscopia combina a endoscopia com a ultrassonografia de alta resolução, permitindo uma visualização detalhada do pâncreas, ductos biliares e vesícula biliar a partir do lúmen gastrointestinal. Sua alta sensibilidade para detectar microlitíase, sludge, tumores pequenos ou outras anomalias estruturais a torna indispensável na elucidação da etiologia da pancreatite aguda 'idiopática'. Para residentes, compreender o algoritmo de investigação da pancreatite aguda é crucial para um diagnóstico preciso e manejo eficaz, que pode incluir colecistectomia se a etiologia biliar for confirmada.
A ecoendoscopia (EUS) deve ser considerada em casos de pancreatite aguda de etiologia indeterminada, ou seja, quando as causas mais comuns (cálculos biliares visíveis na USG, alcoolismo) foram excluídas. Ela é particularmente útil para detectar microlitíase, sludge biliar ou pequenas lesões pancreáticas/biliares não visíveis em exames de imagem convencionais.
A ecoendoscopia possui uma sensibilidade muito alta (superior a 90%) para detectar microlitíase e sludge biliar, sendo significativamente mais sensível que a ultrassonografia abdominal e a tomografia computadorizada para essas condições, que são causas comuns de pancreatite aguda.
As duas principais causas de pancreatite aguda são cálculos biliares (pancreatite biliar) e consumo excessivo de álcool. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, medicamentos, trauma abdominal, infecções e, em uma parcela dos casos, a etiologia permanece indeterminada (idiopática).
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