Pancreatite Aguda: Manejo da Necrose e Antibióticos

SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Em relação ao quadro de pancreatite aguda. Marque a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A principal etilogia da pancreatite no mundo é medicamentosa.
  2. B) A amilase e a lipase são os principais fatores prognósticos para gravidade, devendo ser monitorizada diariamente.
  3. C) A reintrodução da dieta deve ser realizada com segurança somente após a normalização dos índices de amilase e lipase, motivo pelos quais devem ser monitorizados diariamente.
  4. D) A presença de necrose pancreática extensa, porém não infectada não necessita de antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Necrose pancreática estéril não indica ATB profilática; ATB apenas para necrose infectada.

Resumo-Chave

A antibioticoterapia profilática em casos de necrose pancreática estéril não demonstrou benefício e pode aumentar a resistência bacteriana. O uso de antibióticos é reservado para necrose infectada, confirmada por cultura ou forte suspeita clínica.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de complicações sistêmicas e locais. As principais etiologias globalmente são a colelitíase e o etilismo, sendo crucial identificá-las para o manejo adequado e prevenção de recorrências. A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas, é fundamental para o raciocínio clínico e a escolha terapêutica. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. Contudo, é importante ressaltar que amilase e lipase, embora diagnósticas, não são marcadores prognósticos de gravidade e não devem ser monitoradas diariamente para esse fim. A avaliação da gravidade é feita por sistemas de pontuação (ex: Ranson, APACHE II, BISAP) e pela presença de falência orgânica ou complicações locais. O tratamento da pancreatite aguda é primariamente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e suporte nutricional. A reintrodução da dieta oral deve ser precoce, assim que o paciente tolerar e apresentar melhora clínica, sem a necessidade de aguardar a normalização das enzimas pancreáticas. Em relação à necrose pancreática, a presença de necrose estéril (não infectada) não justifica o uso de antibioticoterapia profilática, pois não há evidências de benefício e pode induzir resistência. Antibióticos são indicados apenas em casos de necrose infectada, confirmada por cultura ou forte suspeita clínica, ou em infecções extrapancreáticas.

Perguntas Frequentes

Qual a principal etiologia da pancreatite aguda?

As principais etiologias da pancreatite aguda são a colelitíase (cálculos biliares) e o etilismo, respondendo pela maioria dos casos. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, medicamentos, trauma e causas idiopáticas.

Qual o papel da amilase e lipase no prognóstico da pancreatite aguda?

Amilase e lipase são importantes para o diagnóstico, mas não são bons marcadores prognósticos para a gravidade da pancreatite aguda. Seus níveis não se correlacionam com a extensão da necrose ou a evolução clínica, e não devem ser monitorados diariamente para esse fim.

Quando a dieta pode ser reintroduzida em pacientes com pancreatite aguda?

A dieta oral pode ser reintroduzida precocemente, assim que o paciente apresentar melhora clínica (redução da dor, náuseas, vômitos) e sinais de fome, independentemente dos níveis de amilase e lipase. A normalização desses exames não é um pré-requisito para a alimentação.

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