SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020
Em relação ao quadro de pancreatite aguda. Marque a alternativa correta:
Necrose pancreática estéril não indica ATB profilática; ATB apenas para necrose infectada.
A antibioticoterapia profilática em casos de necrose pancreática estéril não demonstrou benefício e pode aumentar a resistência bacteriana. O uso de antibióticos é reservado para necrose infectada, confirmada por cultura ou forte suspeita clínica.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de complicações sistêmicas e locais. As principais etiologias globalmente são a colelitíase e o etilismo, sendo crucial identificá-las para o manejo adequado e prevenção de recorrências. A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas, é fundamental para o raciocínio clínico e a escolha terapêutica. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. Contudo, é importante ressaltar que amilase e lipase, embora diagnósticas, não são marcadores prognósticos de gravidade e não devem ser monitoradas diariamente para esse fim. A avaliação da gravidade é feita por sistemas de pontuação (ex: Ranson, APACHE II, BISAP) e pela presença de falência orgânica ou complicações locais. O tratamento da pancreatite aguda é primariamente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e suporte nutricional. A reintrodução da dieta oral deve ser precoce, assim que o paciente tolerar e apresentar melhora clínica, sem a necessidade de aguardar a normalização das enzimas pancreáticas. Em relação à necrose pancreática, a presença de necrose estéril (não infectada) não justifica o uso de antibioticoterapia profilática, pois não há evidências de benefício e pode induzir resistência. Antibióticos são indicados apenas em casos de necrose infectada, confirmada por cultura ou forte suspeita clínica, ou em infecções extrapancreáticas.
As principais etiologias da pancreatite aguda são a colelitíase (cálculos biliares) e o etilismo, respondendo pela maioria dos casos. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, medicamentos, trauma e causas idiopáticas.
Amilase e lipase são importantes para o diagnóstico, mas não são bons marcadores prognósticos para a gravidade da pancreatite aguda. Seus níveis não se correlacionam com a extensão da necrose ou a evolução clínica, e não devem ser monitorados diariamente para esse fim.
A dieta oral pode ser reintroduzida precocemente, assim que o paciente apresentar melhora clínica (redução da dor, náuseas, vômitos) e sinais de fome, independentemente dos níveis de amilase e lipase. A normalização desses exames não é um pré-requisito para a alimentação.
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