Pancreatite Aguda: Diagnóstico Laboratorial Essencial

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 38 anos de idade, há 5 dias apresenta dor epigástrica com irradiação para dorso, associada a náuseas e vômitos. Relata que a dor piora após a alimentação, reduzindo a ingestão alimentar. É etilista há 20 anos e relata libação alcoólica importante há 1 semana. Nega comorbidades e medicações de uso contínuo. Ao exame físico: PA: 140 x 85 mmHg. FC: 125 bpm, FR: 24 irpm e temperatura axilar de 37,8 °C. O abdome encontra-se distendido, com ruídos hidroaéreos reduzidos, doloroso à palpação epigástrica. O restante do exame físico está normal. O achado laboratorial que auxiliará na confirmação da hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Gasometría arterial com acidose metabólica.
  2. B) Elevação de bilirrubina total e de bilirrubina direta com bilirrubina indireta normal.
  3. C) Lipase pelo menos três vezes acima do limite superior de normalidade.
  4. D) Transaminases acima de 1.000 U/L.
  5. E) Fosfatase alcalina pelo menos duas vezes acima do limite superior de normalidade.

Pérola Clínica

Dor epigástrica irradiando para dorso + etilismo + lipase >3x LSN → Pancreatite Aguda.

Resumo-Chave

A lipase sérica é o marcador enzimático mais específico e sensível para o diagnóstico de pancreatite aguda. Sua elevação em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, na presença de dor abdominal característica, é suficiente para confirmar o diagnóstico, conforme os critérios de Atlanta.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas. Sua incidência tem aumentado globalmente, sendo uma causa comum de internação hospitalar. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar os desfechos dos pacientes. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na apresentação clínica, achados laboratoriais e, por vezes, exames de imagem. A dor epigástrica com irradiação para o dorso, associada a náuseas e vômitos, é um sintoma clássico. Laboratorialmente, a elevação da lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade é o marcador mais confiável. A amilase também se eleva, mas é menos específica. O tratamento da pancreatite aguda é principalmente de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas. A identificação e tratamento da causa subjacente (ex: colecistectomia para litíase biliar) são importantes para prevenir recorrências. Complicações como necrose pancreática, pseudocistos e infecção devem ser monitoradas e tratadas adequadamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

Os critérios de Atlanta revisados definem pancreatite aguda pela presença de dois dos três seguintes: dor abdominal característica, lipase ou amilase sérica >3x o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis.

Por que a lipase é preferível à amilase no diagnóstico de pancreatite aguda?

A lipase é mais específica para o pâncreas do que a amilase, que pode se elevar em outras condições (ex: parotidite, doenças intestinais). Além disso, a lipase permanece elevada por mais tempo, sendo útil em apresentações tardias.

Quais são as causas mais comuns de pancreatite aguda?

As causas mais frequentes de pancreatite aguda são a litíase biliar (cálculos na vesícula) e o etilismo. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma, medicamentos e pós-CPRE.

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