UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
JOS, 45 anos, feminina, referindo queixa de dor em andar superior do abdome há 3 dias, irradiada para dorso, associada a episódios de náusea e vômitos esverdeados. Relata ingestão eventual de cerveja aos finais de semana. Previamente ao quadro, apresenta cólicas em hipocôndrio direito, com melhora ao utilizar brometo de escopolamina. Ao exame físico encontra-se com escleras levemente amareladas, abdome doloroso, principalmente em andar superior direita, onde observa-se defesa a palpação. Foi internada com suspeita de Pancreatite aguda, tendo como resultado de exames: TGO: 66, TGP: 57, Hb: 13, Le: 10.000, Cr: 2,4, U: 55, Bilirrubina total: 2,5 (bilirrubina indireta: 1,0), FA: 200, GGT: 160. Amilase sérica 140. Com base no quadro apresentando acima, é correto afirmar:
Pancreatite aguda: dor abdominal + ↑ amilase/lipase (lipase mais sensível/específica). Amilase normal NÃO exclui. Coledocolitíase causa comum.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois de três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase ou lipase sérica (3x o limite superior) e achados de imagem. A lipase é mais sensível e específica que a amilase, e um valor normal de amilase não exclui o diagnóstico. A coledocolitíase é uma causa comum, e enzimas canaliculares elevadas sugerem obstrução biliar.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas. É uma condição comum em serviços de emergência, e sua etiologia mais frequente é a biliar (cálculos) e o etilismo. O residente deve estar apto a diagnosticar e estratificar a gravidade para guiar o manejo inicial. O quadro clínico típico inclui dor epigástrica intensa, irradiada para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. O diagnóstico laboratorial é feito pela elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade. A lipase é preferível por sua maior sensibilidade e especificidade, e por permanecer elevada por mais tempo. A amilase normal não exclui a pancreatite. No caso apresentado, a paciente tem história de cólicas biliares e elevação de enzimas canaliculares (FA, GGT, bilirrubina), sugerindo fortemente uma etiologia biliar, como a coledocolitíase. O tratamento inicial é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas. A investigação da etiologia é fundamental. Diante da suspeita de coledocolitíase, a Colangiorressonância Magnética (CPRM) é o exame de escolha para visualizar os ductos biliares e pancreáticos de forma não invasiva, confirmando a presença de cálculos e orientando a necessidade de intervenção, como a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE).
O diagnóstico de pancreatite aguda é estabelecido pela presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal súbita e intensa, tipicamente em andar superior e irradiada para o dorso; elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade; e achados característicos em exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
A lipase sérica é considerada mais sensível e específica para o diagnóstico de pancreatite aguda do que a amilase. Ela permanece elevada por um período mais longo (até 8-14 dias), enquanto a amilase pode normalizar em 3-5 dias. Além disso, a amilase pode estar elevada em outras condições não pancreáticas, diminuindo sua especificidade.
A coledocolitíase deve ser suspeitada como causa de pancreatite quando há história de cólicas biliares, icterícia, e elevação de enzimas canaliculares (FA, GGT, bilirrubina direta). Nesses casos, a Colangiorressonância Magnética (CPRM) é o próximo exame de imagem não invasivo para confirmar a presença de cálculos no ducto biliar comum e avaliar a necessidade de CPRE terapêutica.
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