UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 47 anos refere dor intensa no epigástrio e hipocôndrio direito há 1 dia. Apresentou episódios semelhantes anteriormente, porém, dessa vez, a dor está mais intensa e acompanhada de náuseas e vômitos. Exame físico: obesa, dor à palpação do epigástrio e do hipocôndrio direito. Exames: Ht: 42%; Hb: 13,5 g/dL; GB: 10500 mm³; Ur: 39 mg/dL; Cr: 1 mg/dL; TGO: 40 U/L; TGP: 43 U/L; GGT: 60 U/L; FA: 140 U/L; BT: 1,1 mg/dL; BD: 0,6 mg/dL; BI: 0,5 mg/dL; amilase: 130 U/L; lipase: 495 U/L.Pode-se afirmar, corretamente, que
Suspeita de pancreatite/colecistite → US abdominal é o exame de imagem inicial de escolha.
A paciente apresenta dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e lipase significativamente elevada, sugerindo pancreatite aguda. O ultrassom abdominal é o exame de imagem inicial de escolha para investigar a etiologia (ex: cálculos biliares) e avaliar a vesícula biliar, sendo menos invasivo e mais acessível que a TC.
A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas. A etiologia mais comum é a biliar (cálculos na vesícula ou ducto biliar comum) e o consumo excessivo de álcool. A apresentação clínica típica inclui dor epigástrica intensa, que pode irradiar para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. A importância clínica para residentes reside na capacidade de diagnosticar precocemente e iniciar o manejo adequado para prevenir a progressão para formas mais graves. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na clínica, exames laboratoriais (amilase e lipase elevadas >3x o LSN) e achados de imagem. A lipase é mais específica e sensível que a amilase. O ultrassom abdominal é o exame de imagem inicial de escolha, principalmente para identificar a etiologia biliar, como colelitíase ou coledocolitíase, e avaliar a vesícula biliar. A tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste é mais útil para avaliar a extensão da necrose pancreática e suas complicações, sendo geralmente realizada 48-72 horas após o início dos sintomas ou em casos de dúvida diagnóstica. O tratamento inicial da pancreatite aguda é de suporte, incluindo jejum, hidratação venosa agressiva para manter a perfusão pancreática, analgesia adequada e antieméticos. Antibióticos não são recomendados rotineiramente, exceto em casos de infecção comprovada (necrose infectada) ou colangite. A identificação e tratamento da causa subjacente são cruciais; por exemplo, a colecistectomia é indicada para pancreatite biliar após a resolução do quadro agudo. O sinal de Murphy positivo, embora associado à colecistite, pode ser um achado relevante na avaliação diferencial da dor no hipocôndrio direito.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados característicos em exames de imagem (TC ou RM).
O ultrassom abdominal é o exame de escolha inicial para pancreatite aguda porque é não invasivo, de baixo custo e altamente eficaz na identificação de cálculos biliares, que são a causa mais comum de pancreatite aguda, além de avaliar a vesícula biliar e as vias biliares.
Antibióticos não são indicados rotineiramente na pancreatite aguda não complicada. Eles são reservados para casos de pancreatite necrotizante infectada comprovada ou suspeita, ou em pacientes com colangite concomitante.
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