UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023
Paciente masculino, 53 anos de idade, é admitido no pronto-socorro com quadro de dor abdominal, há 1 dia, em todo andar superior, de forte intensidade, com irradiação para dorso, com náuseas, vômitos e comprometimento do estado geral. Ao exame abdominal, apresentava dor difusa à palpação, com defesa em andar superior, descompressão brusca não dolorosa e ausculta com ruídos hidroaéreos ausentes. Em relação aos exames complementares para confirmação diagnóstica, considere as afirmativas a seguir.I. Distensão de alça de cólons ascendente e transverso com ausência de ar a partir de ângulo esplênico contribui para hipótese de pancreatite aguda.II. Uma ultrassonografia de abdome superior normal não descarta o diagnóstico de pancreatite aguda bem como patologia de árvore biliar.III. Raios-X de tórax sem pneumoperitôneo, com pequeno derrame pleural e atelectasias basais favorecem para origem pulmonar do quadro de dor abdominal.IV. O nível sérico da amilase pancreática, além de essencial para o diagnóstico de pancreatite aguda, é um fator considerado na avaliação da gravidade da doença.Assinale a alternativa correta.
USG normal não descarta pancreatite aguda; amilase/lipase são diagnósticas, mas não indicam gravidade.
Na pancreatite aguda, a ultrassonografia abdominal é útil para etiologia biliar, mas sua normalidade não exclui o diagnóstico. Amilase e lipase são marcadores diagnósticos chave, mas seus níveis séricos não se correlacionam com a gravidade da doença, que é avaliada por outros critérios clínicos e laboratoriais.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e alta mortalidade. É uma emergência médica comum, e o residente deve estar apto a reconhecer seus sinais e interpretar os exames complementares. A etiologia mais comum é a biliar (cálculos) e o etilismo. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso, intensa), elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. A lipase é mais específica e sensível que a amilase. Exames de imagem como a ultrassonografia abdominal são cruciais para investigar a etiologia biliar, mas um exame normal não exclui a pancreatite devido a limitações técnicas. Achados radiológicos como o "sinal do cólon cortado" podem ser sugestivos. A avaliação da gravidade é fundamental para o manejo e prognóstico, utilizando escores como Ranson, APACHE II ou BISAP, e não apenas os níveis de amilase/lipase. Complicações pulmonares como derrame pleural e atelectasias basais são comuns na pancreatite aguda grave, refletindo a resposta inflamatória sistêmica. O tratamento é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e manejo de complicações.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois de três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis.
A ultrassonografia de abdome superior é o exame inicial para identificar cálculos biliares como causa da pancreatite, mas sua sensibilidade para visualizar o pâncreas pode ser limitada por gases intestinais ou obesidade.
Os níveis de amilase e lipase séricas não se correlacionam com a extensão da necrose pancreática ou com a gravidade da doença, que é melhor avaliada por escores clínicos (Ranson, APACHE II, BISAP) e exames de imagem como a tomografia computadorizada.
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