Pancreatite Aguda: Manejo Inicial e Pontos Críticos

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 55 anos procura o serviço de pronto atendimento devido a uma dor abdominal súbita e intensa, localizada no epigástrio e com irradiação para o dorso, associada a vários episódios de vômito. Apresentava-se taquicárdico, com PA 100x60 mmHg, murmúrio vesicular diminuído em bases e abdome doloroso a palpação difusa, levemente distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos, com defesa voluntária evidente. Sobre este caso, considere as afirmativas e assinale a opção correta. 1. A amilase sérica poderá estar aumentada na maioria desses casos.2. A reposição vigorosa de fluidos é o elemento mais importante no tratamento inicial. 3. O controle da dor normalmente é atingido com o uso de analgésicos e anti-inflamatórios endovenosos, devendo-se evitar narcóticos.4. A tomografia computadorizada do abdome deve ser evitada numa fase precoce, pois o contraste endovenoso pode piorar a função renal, agravando a evolução da doença. 5. Como suporte nutricional, a oferta de nutrientes deve ser feita por via oral associada a dieta parenteral.

Alternativas

  1. A) Somente 1 e 2 estão corretas.
  2. B) Somente 1, 4 e 5 estão corretas.
  3. C) Somente 2, 3 e 4 estão corretas.
  4. D) Somente 1, 3 e 4 estão corretas.
  5. E) Somente 2, 4 e 5 estão corretas.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda: dor epigástrica + vômitos + taquicardia. Reposição vigorosa de fluidos é crucial.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave. A dor intensa, a taquicardia e a hipotensão sugerem gravidade e a necessidade de ressuscitação volêmica precoce e agressiva para prevenir complicações sistêmicas e necrose.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas, frequentemente causada por cálculos biliares ou etilismo, que se manifesta com dor abdominal intensa e súbita, irradiando para o dorso, e vômitos. É uma emergência médica que exige reconhecimento e manejo rápidos devido ao risco de complicações sistêmicas graves, como choque, insuficiência respiratória e renal. A compreensão de sua fisiopatologia é crucial para a tomada de decisões terapêuticas. O diagnóstico é primariamente clínico e laboratorial, com elevação de amilase e lipase séricas. A avaliação da gravidade é fundamental para guiar o tratamento, utilizando escores como o de Ranson ou APACHE II. A suspeita deve ser alta em pacientes com dor epigástrica súbita e intensa, especialmente se houver fatores de risco conhecidos. A TC de abdome é útil para avaliar a extensão da necrose e outras complicações, mas deve ser postergada nas primeiras 72 horas para evitar falsos negativos e o risco de lesão renal induzida por contraste. O tratamento inicial foca na ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, controle da dor com analgésicos potentes (opioides são seguros e eficazes), e suporte nutricional. A dieta oral pode ser reiniciada precocemente se o paciente tolerar e a dor estiver controlada. Antibióticos são indicados apenas em caso de infecção documentada. O manejo adequado e precoce é determinante para o prognóstico e a prevenção de sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos três critérios: dor abdominal característica, amilase ou lipase sérica >3x o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis.

Por que a reposição volêmica é tão importante na pancreatite aguda?

A reposição volêmica vigorosa é crucial para combater a hipovolemia e a hipoperfusão tecidual causadas pelo sequestro de fluidos no terceiro espaço e pela inflamação sistêmica, prevenindo a necrose pancreática e a falência orgânica.

Quando a tomografia computadorizada é indicada na pancreatite aguda?

A TC de abdome com contraste é geralmente reservada para pacientes com diagnóstico incerto, que não melhoram com o tratamento inicial, ou para avaliar complicações como necrose e coleções, idealmente após 72 horas do início dos sintomas.

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