Pancreatite Aguda: Manejo Inicial e Hidratação Essencial

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 35 anos, sexo feminino, previamente hígida, admitida no Pronto-Socorro com quadro de dor abdominal em epigastro e hipocôndrios há 4 dias, associada a episódios de vômito e inapetência.Na admissão, encontrava-se em regular estado geral, FC 126 bpm, PA 95 x 60 mmHg, FR 22, peso 60 kg.Palpação abdominal com distensão leve, dor em andar superior, pior em epigastro, sem sinais de irritação peritoneal, sem massas palpáveis. Ruídos hidroaéreos presentes, mas diminuídos. Descompressão brusca negativa, sinal de Giordano negativo, sinal de Murphy negativo.Foram realizados exames laboratoriais na chegada: Hb 14 g/dL, Ht 46%, leucócitos 15500 (sem desvio), ureia 90 mg/dL (Valor de Referência – VR 8 – 20), creatinina 1,9 md/dL (VR 0,7 – 1,3), TGO 125 U/L (VR 10 – 40), TGP 98 U/L (VR 10 – 40), bilirrubinas totais 1,2 mg/dL (VR 0,2 – 1,1), bilirrubina direta 1,0 mg/dL (0 – 0,3), amilase 245 U/L (VR 25 – 125), lipase 1250 U/L (VR 10 – 140), PCR 105 mg/dL.Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para essa paciente, nesse momento.

Alternativas

  1. A) Monitorização; jejum; ringer lactato – 500 mL EV, agora e de 6/6 h; dipirona 1g EV, de 6/6 h; ondansetrona – 4 mg EV, de 8/8 h; sondagem vesical de demora.
  2. B) Monitorização; dieta parenteral; ceftriaxone e metronidazol EV; metoclopramida; morfina, se necessário; soro fisiológico 0,9 % – 500 mL, de 12/12 h.
  3. C) Jejum; tomografia de abdome com contraste; meropenem EV; tramadol – 100 mg EV, de 8/8h; ondansetrona – 4 mg EV, de 8/8 h.
  4. D) Internação em UTI; dieta leve hipogordurosa; ringer lactato – 500 mL EV, de 12/12 h; sondagem vesical de demora; angiotomografia de abdome.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda: Suporte inicial = Jejum + Hidratação vigorosa (RL) + Analgesia + Antiemético.

Resumo-Chave

O manejo inicial da pancreatite aguda foca em suporte intensivo: hidratação vigorosa com Ringer Lactato para prevenir hipovolemia e melhorar a perfusão pancreática, controle eficaz da dor e náuseas, e jejum para repouso do órgão. Monitorização rigorosa é fundamental.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, com incidência crescente e potencial para complicações graves, incluindo falência de múltiplos órgãos. É uma condição comum em pronto-socorros, exigindo reconhecimento rápido e manejo adequado. As principais causas incluem cálculos biliares e alcoolismo, mas outras etiologias devem ser investigadas. Fisiopatologicamente, a pancreatite aguda envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, levando à autodigestão do órgão. O diagnóstico é baseado na tríade de dor abdominal característica, elevação de amilase/lipase sérica (pelo menos 3x o limite superior) e achados de imagem. A avaliação da gravidade é crucial, utilizando escores como Ranson ou APACHE II, e a presença de sinais de choque ou disfunção orgânica indica gravidade. O tratamento inicial é de suporte e inclui jejum, hidratação intravenosa vigorosa (preferencialmente com Ringer Lactato para evitar acidose hiperclorêmica), analgesia adequada e controle de náuseas e vômitos. A monitorização hemodinâmica e do débito urinário é essencial, podendo necessitar de sondagem vesical. Antibióticos não são rotineiramente indicados, exceto em casos de necrose infectada. A identificação e tratamento da causa subjacente são fundamentais para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC, RM ou USG).

Por que o Ringer Lactato é preferível ao soro fisiológico 0,9% na pancreatite aguda?

O Ringer Lactato é preferível devido à sua composição mais próxima do plasma, o que ajuda a evitar a acidose metabólica hiperclorêmica associada ao uso excessivo de soro fisiológico 0,9%, e pode reduzir a incidência de SIRS na pancreatite aguda.

Quando a antibioticoterapia é indicada na pancreatite aguda?

A antibioticoterapia não é rotineiramente indicada na pancreatite aguda não complicada. Ela deve ser considerada apenas em casos de necrose pancreática infectada comprovada ou suspeita, ou em infecções extrapancreáticas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo