Pancreatite Aguda: Conduta Inicial e Manejo Essencial

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 45 anos, sexo masculino, é admitido no pronto-socorro com dor abdominal intensa, que irradia para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. O paciente relata consumo excessivo de álcool nos últimos dias e tem um histórico prévio de cálculos biliares. Ao exame físico, observa-se sensibilidade abdominal, especialmente na região epigástrica. Os exames laboratoriais revelam: hb: 14g/dl, leucócitos: 17800, pcr: 68 mg/dl, tgo: 75 u/l (vr:32), tgp: 58 u/l (vr:32), ggt: 430 u/l (vr:40) fa: 89u/l (vr:100u/l), amilase: 137 u/dl (vr:25- 115u/l), lipase: 320 u/l (vr:60u/l), BRT: 1,7 mg/dl (BRD:1,15u/l), triglicerideos: 233mg/dl, colesterol total: 298 mg/dl, cr: 1,56 mg/dl, ur: 75mg/dl. Qual é a conduta inicial mais apropriada para este paciente?

Alternativas

  1. A) realizar uma tomografia computadorizada do abdômen.
  2. B) admitir o paciente para cirurgia de colecistectomia.
  3. C) iniciar antibióticos intravenosos imediatamente.
  4. D) iniciar a reidratação intravenosa e jejum.
  5. E) solicitar uma ressonância magnética do abdômen.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda: reidratação venosa agressiva e jejum são pilares do manejo inicial para reduzir inflamação e dor.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave. A conduta inicial foca na estabilização do paciente, com reidratação intravenosa vigorosa para combater a hipovolemia e o jejum para repousar o pâncreas, aliviando a dor e prevenindo a estimulação enzimática.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de complicações sistêmicas. É uma condição comum em pronto-socorros, com incidência crescente, e sua identificação e manejo corretos são cruciais para a sobrevida do paciente. As principais causas incluem litíase biliar e etilismo, como no caso apresentado, mas outras etiologias como hipertrigliceridemia e medicamentos também devem ser consideradas. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, levando à autodigestão do órgão. O diagnóstico é clínico (dor característica), laboratorial (amilase e lipase >3x o limite superior da normalidade) e de imagem (TC ou RM, se necessário). A suspeita deve ser alta em pacientes com dor epigástrica irradiando para as costas e fatores de risco. Exames como leucocitose e PCR elevado indicam resposta inflamatória sistêmica, e disfunção renal (Cr/Ur elevados) sugere gravidade. O tratamento inicial é de suporte e visa aliviar a dor, prevenir complicações e repousar o pâncreas. A reidratação intravenosa agressiva com cristaloides (ex: Ringer Lactato) é a medida mais importante nas primeiras 24-48 horas para manter a perfusão pancreática e sistêmica. O jejum oral é essencial para evitar a estimulação pancreática, e a dor deve ser controlada com analgésicos potentes. O uso de antibióticos profiláticos não é recomendado, sendo indicado apenas em casos de necrose infectada comprovada. O prognóstico depende da gravidade, com sistemas de pontuação como Ranson ou APACHE II auxiliando na estratificação de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da pancreatite aguda?

A pancreatite aguda manifesta-se com dor abdominal intensa, epigástrica, que irradia para as costas, acompanhada frequentemente de náuseas, vômitos e sensibilidade abdominal.

Por que a reidratação intravenosa é crucial no manejo inicial da pancreatite aguda?

A reidratação venosa agressiva é fundamental para combater a hipovolemia e a isquemia pancreática, reduzindo a inflamação sistêmica e melhorando o prognóstico do paciente.

Quais são as principais causas de pancreatite aguda?

As duas causas mais comuns de pancreatite aguda são a litíase biliar (cálculos na vesícula) e o consumo excessivo de álcool, respondendo pela maioria dos casos.

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