Pancreatite Aguda: Prioridade na Reposição Volêmica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 60 anos relata que, há dois dias, apresenta dor abdominal em barra, de forte intensidade, localizada em andar superior de abdômen, evoluindo com febre, náuseas e vômitos. No exame físico, havia distensão abdominal e peristalse débil; PA = 100x60mmHg, FC = 115bpm e FR = 18irpm. O exame laboratorial mostra Hb = 12g/dL, leucócitos = 15.000/mm³ , bastões = 10%, glicemia = 140mg/dL, creatinina = 1,6mg/dL, ureia = 100mg/dL, amilase = 1.500U/L e lipase = 250U/L. A tomografia computadorizada de abdômen identificou pâncreas aumentado difusamente e coleções peripancreáticas. Nesse momento, a abordagem de maior importância é realizar nesse paciente:

Alternativas

  1. A) reposição vigorosa de cristaloides
  2. B) nutrição enteral com reforço lipídico
  3. C) antibioticoterapia precoce com meropenem
  4. D) drenagem precoce das coleções pancreáticas

Pérola Clínica

Pancreatite aguda grave → Reposição volêmica vigorosa com cristaloides é prioridade inicial.

Resumo-Chave

Na pancreatite aguda, especialmente com sinais de gravidade (taquicardia, hipotensão, creatinina elevada), a reposição volêmica agressiva com cristaloides é a medida inicial mais importante para prevenir a progressão da doença e melhorar a perfusão orgânica.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para falência de múltiplos órgãos e morte. A dor abdominal em barra, náuseas, vômitos e elevação de amilase e lipase são achados típicos. A presença de hipotensão, taquicardia e disfunção renal (creatinina e ureia elevadas) indica um quadro grave. A fisiopatologia da pancreatite aguda grave envolve uma resposta inflamatória sistêmica e extravasamento de fluidos para o terceiro espaço, resultando em hipovolemia e hemoconcentração. Essa hipovolemia pode levar à isquemia pancreática e necrose, além de comprometer a perfusão de outros órgãos. A abordagem inicial mais importante para pacientes com pancreatite aguda grave é a reposição volêmica vigorosa com cristaloides (ex: Ringer Lactato). Isso visa restaurar o volume intravascular, melhorar a perfusão tecidual e reduzir a incidência de necrose pancreática e falência orgânica. Antibioticoterapia precoce e drenagem de coleções são consideradas em momentos específicos, não como medida inicial prioritária.

Perguntas Frequentes

Qual é a principal prioridade no manejo inicial de um paciente com pancreatite aguda grave?

A principal prioridade é a reposição volêmica vigorosa com cristaloides, como Ringer Lactato ou soro fisiológico, para manter a perfusão orgânica e prevenir a isquemia pancreática e a falência de múltiplos órgãos.

Por que a reposição volêmica é tão crucial na pancreatite aguda?

Na pancreatite aguda, ocorre um grande extravasamento de fluidos para o terceiro espaço (peritonite, edema retroperitoneal), levando à hipovolemia e hemoconcentração. A reposição adequada previne a isquemia e a necrose pancreática.

Quais são os sinais de gravidade que indicam a necessidade de reposição volêmica mais agressiva?

Sinais como hipotensão, taquicardia, oligúria, aumento da ureia e creatinina, e hemoconcentração (hematócrito > 44%) indicam hipovolemia e a necessidade de reposição volêmica agressiva.

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