Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Sinais Clínicos

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um paciente com 65 anos procura a unidade de pronto atendimento com queixa de ter acordado com dor abdominal, súbita, difusa, de intensidade crescente. Conta que fez uso de medicação sintomática e apresentou 2 episódios de vômitos. Nega sintomas urinários e alteração do hábito intestinal. Relata tabagismo (consumo de 60 maços/ano) e etilismo habitual (2 doses de destilado/dia), além das seguintes comorbidades: hipertensão arterial, em uso de atenolol, losartana, aspirina e sinvastatina; infarto agudo do miocárdio há 10 anos. Acrescenta que passou por uma cirurgia prévia, de urgência, de úlcera no estômago há 18 anos. Ao exame físico, apresenta-se: obeso, em regular estado geral, agitado. Registram-se, ainda: pressão arterial de 100 × 60 mmHg; frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto; frequência respiratória de 20 incursões respiratórias por minuto; temperatura axilar de 37,8 °C; estando o paciente ictérico (+1/+4), corado, desidratado (+1/+4), com abdome normotenso, doloroso à palpação profunda difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Resultados de seus exames laboratoriais apresentam: hemoglobina: 13 g/dL, leucócitos: 14.000/mm3, amilase: 238 U/L, lipase: 130 U/L, Proteína C Reativa: 8 mg/L, gasometria venosa mostrando Ph: 7,32 e lactato: 27 mg/dL.Nesse caso, a principal hipótese diagnóstica é de abdome agudo

Alternativas

  1. A) perfurativo por úlcera perfurada. 
  2. B) inflamatório por pancreatite aguda. 
  3. C) obstrutivo por obstrução intestinal.
  4. D) isquêmico por isquemia mesentérica.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita difusa + etilismo + amilase/lipase ↑ + icterícia + taquicardia → Pancreatite Aguda.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode ser desencadeada por etilismo ou colelitíase. A dor abdominal é característica, e a elevação de amilase e lipase séricas (pelo menos 3x o limite superior da normalidade) é crucial para o diagnóstico, juntamente com achados de imagem.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, com incidência crescente e alta morbimortalidade. É crucial para o residente reconhecer seus sinais e sintomas, que incluem dor abdominal súbita e intensa, frequentemente irradiando para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. O etilismo e a colelitíase são as causas mais prevalentes, e a história do paciente é fundamental. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (tomografia computadorizada ou ultrassonografia). A lipase é geralmente mais específica e sensível que a amilase. O tratamento inicial é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas e vômitos. A avaliação da gravidade é essencial, utilizando escores como Ranson ou APACHE II, para identificar pacientes com maior risco de complicações sistêmicas e locais, como necrose pancreática e formação de pseudocistos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais na pancreatite aguda?

Os principais achados laboratoriais incluem elevação da amilase e lipase séricas (geralmente 3x o limite superior da normalidade), leucocitose, e, em casos graves, alterações como acidose metabólica e lactato elevado.

Quais são os fatores de risco mais comuns para pancreatite aguda?

Os fatores de risco mais comuns para pancreatite aguda são colelitíase (cálculos biliares) e etilismo. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, trauma abdominal, medicamentos e infecções.

Como diferenciar pancreatite aguda de outras causas de abdome agudo?

A diferenciação envolve a avaliação da história clínica (dor epigástrica irradiando para o dorso, náuseas, vômitos), exame físico (dor à palpação, mas sem irritação peritoneal clássica) e exames laboratoriais, especialmente a dosagem de amilase e lipase.

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