Pancreatite Aguda: Manejo de Pseudocistos e Complicações

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015

Enunciado

Quanto à pancreatite aguda, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Os níveis de amilase, possuem boa correlação com a gravidade da doença.
  2. B) A infecção da necrose pancreática tende a ocorrer na primeira semana da doença, e o antibiótico de escolha é uma cefalosporina de 3ª geração.
  3. C) Os pseudocistos pancreáticos na maioria das vezes regridem espontaneamente, devendo apenas, a princípio, ser monitorados ultrassonograficamente.
  4. D) A necrose pancreática estéril extensa não constitui indicação de antibioticoterapia, devendo esta ser reservada aos casos de infecção documentada.
  5. E) A CPRE é o exame de escolha para dar o diagnóstico de pancreatite aguda de origem biliar.

Pérola Clínica

Pseudocistos pancreáticos → maioria regride espontaneamente, monitorar com USG.

Resumo-Chave

Pseudocistos pancreáticos são coleções encapsuladas de líquido ricas em enzimas pancreáticas, geralmente uma complicação da pancreatite aguda. A maioria é assintomática e regride espontaneamente, justificando a conduta inicial de monitoramento por ultrassonografia, reservando intervenções para casos sintomáticos ou complicados.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, com etiologias diversas, sendo a biliar e alcoólica as mais comuns. O diagnóstico baseia-se em dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas e achados de imagem. A avaliação da gravidade é crucial para o manejo, utilizando escores como Ranson, APACHE II ou Balthazar na TC, pois os níveis de amilase e lipase não se correlacionam com a gravidade da doença. As complicações locais incluem coleções líquidas agudas, pseudocistos, necrose pancreática e abscesso. Pseudocistos pancreáticos são coleções de líquido encapsuladas que se formam semanas após um episódio de pancreatite. A maioria dos pseudocistos é assintomática e regride espontaneamente, sendo a conduta inicial o monitoramento por ultrassonografia. Intervenções (drenagem endoscópica, percutânea ou cirúrgica) são reservadas para pseudocistos sintomáticos, em crescimento ou complicados. A necrose pancreática pode ser estéril ou infectada. A necrose estéril extensa não é indicação para antibioticoterapia profilática, que deve ser reservada para casos de infecção documentada, geralmente com carbapenêmicos. A infecção da necrose tende a ocorrer mais tardiamente, após a segunda semana. A CPRE é um procedimento terapêutico, não diagnóstico, para desobstrução biliar em casos de pancreatite biliar com colangite ou obstrução persistente, não sendo o exame de escolha para o diagnóstico da pancreatite aguda biliar.

Perguntas Frequentes

Qual a importância dos níveis de amilase e lipase na pancreatite aguda?

Amilase e lipase são marcadores diagnósticos importantes para pancreatite aguda, com a lipase sendo mais específica e sensível. No entanto, seus níveis não se correlacionam com a gravidade da doença, que deve ser avaliada por escores clínicos e de imagem.

Quando a antibioticoterapia é indicada na pancreatite aguda?

A antibioticoterapia profilática não é recomendada na necrose pancreática estéril. Ela deve ser reservada para casos de infecção documentada da necrose pancreática, confirmada por cultura de material obtido por punção guiada ou por sinais clínicos de sepse.

Qual o papel da CPRE no diagnóstico e tratamento da pancreatite aguda biliar?

A CPRE não é o exame de escolha para o diagnóstico de pancreatite aguda biliar, que é feito clinicamente e por exames de imagem como ultrassonografia. Sua indicação principal é terapêutica, para desobstrução biliar em casos de colangite aguda concomitante ou obstrução persistente.

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