UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 56 anos, com hipertensão, obesidade e resistência insulínica, procura o pronto atendimento devido dor abdominal em andar superior do abdome, de forte intensidade há aproximadamente 6 horas, acompanhada de náuseas e vômitos. Ao chegar, apresentava-se afebril, sonolento, descorado, com sudorese profusa, pulso 126 bpm, PA: 86x49mmhg, frequência respiratória de 24 ipm, 95% saturação em ar ambiente. No exame físico específico, bulhas cardíacas rítmicas, crepitações em bases pulmonares e discreta distensão em abdome superior, com dor a palpação dessa região, porém sem descompressão brusca dolorosa. Em relação ao quadro descrito acima, assinale a alternativa INCORRETA:
Pancreatite aguda grave → TC abdome NÃO é indicada nas primeiras 24h, exceto em dúvida diagnóstica ou complicação.
Em pancreatite aguda, a TC de abdome não é indicada rotineiramente nas primeiras 24-48 horas, pois não adiciona valor prognóstico e pode subestimar a extensão da necrose. É reservada para casos de dúvida diagnóstica, ausência de melhora clínica ou suspeita de complicações.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. É uma causa comum de dor abdominal aguda intensa, frequentemente associada a náuseas e vômitos. Fatores de risco incluem litíase biliar e alcoolismo, mas também obesidade, hipertensão e resistência insulínica, como no caso apresentado, que contribuem para a gravidade. O diagnóstico é estabelecido pela presença de dor abdominal característica, elevação das enzimas pancreáticas (lipase ou amilase) em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e/ou achados de imagem compatíveis. A lipase é geralmente mais específica e sensível que a amilase. A avaliação da gravidade é crucial, utilizando escores como Ranson ou APACHE II, ou critérios como SIRS, para identificar pacientes de alto risco. O manejo inicial inclui suporte hemodinâmico agressivo (hidratação venosa para prevenir choque), analgesia e controle de náuseas. A tomografia computadorizada de abdome com contraste não é indicada rotineiramente nas primeiras 24-48 horas, pois pode subestimar a extensão da necrose e não altera o manejo inicial, sendo mais útil para avaliar complicações ou em casos de dúvida diagnóstica. A dieta oral deve ser retomada precocemente, assim que a dor e os vômitos melhorarem, para otimizar a recuperação.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de lipase ou amilase sérica >3 vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (se realizada).
A TC de abdome não é indicada rotineiramente nas primeiras 24-48 horas. É reservada para casos de dúvida diagnóstica, ausência de melhora clínica após 48-72 horas, ou suspeita de complicações locais como necrose, coleções ou pseudocistos.
A retomada da dieta oral, preferencialmente com alimentos de baixo teor de gordura, deve ocorrer assim que houver melhora da dor abdominal e dos vômitos, pois a nutrição enteral precoce pode reduzir complicações infecciosas e o tempo de internação.
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