Pancreatite Aguda Grave: Classificação de Baltazar e Necrose

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 76 anos de idade foi ao serviço de emergência com história de dor abdominal epigástrica e muitos vômitos há três dias. Nos exames da admissão, apresentava uma amilase de 3.552 e uma proteína C reativa de 20. Estava desidratada com muita dor à palpação em andar superior do abdome. Feito o diagnóstico de pancreatite aguda, optou-se pela realização de tomografia de abdome com contraste endovenoso, que demonstrou necrose pancreática de aproximadamente 50% do órgão e uma coleção líquida de aproximadamente 5 cm na porção caudal. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de paciente com pancreatite aguda grave, classificada como Baltazar E, e está indicado o tratamento em unidade de terapia intensiva.
  2. B) Trata-se de paciente com pancreatite aguda grave, classificada como Baltazar D.
  3. C) Trata-se de paciente com pancreatite aguda leve, classificada como Baltazar E, e está indicado o tratamento em unidade de terapia intensiva.
  4. D) Trata-se de paciente com pancreatite aguda leve, classificada como Baltazar D, e está indicado o tratamento operatório de gastroduodenopancreatectomia.
  5. E) Trata-se de paciente com pancreatite aguda grave, classificada como Baltazar E, e está indicado o tratamento clínico.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda grave + coleção líquida única peripancreática = Baltazar D. Necrose pancreática >30% indica gravidade.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda é classificada como grave com base em critérios clínicos (idade, PCR elevada, desidratação) e radiológicos (necrose, coleções). A presença de uma coleção líquida peripancreática única na TC classifica como Baltazar D. A necrose de 50% confirma a gravidade e a necessidade de tratamento intensivo, mas a classificação Baltazar se refere à coleção.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas com um espectro de gravidade que varia de leve e autolimitada a grave e potencialmente fatal. A avaliação da gravidade é fundamental para o manejo adequado, incluindo a decisão de internação em unidade de terapia intensiva e a necessidade de intervenções. A classificação da gravidade da pancreatite aguda baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e radiológicos. A tomografia computadorizada (TC) com contraste é essencial para avaliar a extensão da inflamação, a presença de coleções líquidas e, crucialmente, a necrose pancreática. A classificação de Baltazar na TC categoriza as alterações pancreáticas e peripancreáticas de A (pâncreas normal) a E (duas ou mais coleções ou gás retroperitoneal). Uma coleção líquida única peripancreática corresponde a Baltazar D. Além da classificação de Baltazar, a presença e extensão da necrose pancreática são determinantes prognósticos. A necrose de 50% do órgão, como no caso apresentado, indica pancreatite aguda grave, independentemente da classificação de Baltazar isolada. O CTSI (Computed Tomography Severity Index) combina a classificação de Baltazar com a pontuação de necrose, oferecendo um índice de gravidade radiológica mais abrangente. Pacientes com pancreatite aguda grave, especialmente com necrose significativa, requerem monitoramento intensivo e suporte agressivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para classificar a pancreatite aguda como grave?

A pancreatite aguda é classificada como grave por critérios clínicos (SIRS, falência orgânica), laboratoriais (PCR > 150 mg/L após 48h, leucocitose, idade > 55 anos) e radiológicos (necrose pancreática, coleções).

Como a necrose pancreática é avaliada e qual sua importância prognóstica?

A necrose pancreática é avaliada por tomografia computadorizada com contraste. Sua extensão é um fator prognóstico crucial, com necrose >30% associada a maior morbidade e mortalidade, especialmente se infectada.

Qual a diferença entre a classificação de Baltazar e o CTSI na pancreatite aguda?

A classificação de Baltazar avalia a inflamação e coleções peripancreáticas (A-E). O CTSI (Computed Tomography Severity Index) combina a classificação de Baltazar com a porcentagem de necrose pancreática, fornecendo um escore mais completo de gravidade radiológica.

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