Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
Mulher de 53 anos, previamente hígida, comparece ao pronto atendimento com queixa de dor intensa no andar superior do abdômen associada a vômitos. Ao exame físico, PA: 130x70 mmHg, FC: 114 bpm, FR: 23 ipm, SpO₂: 98%, Tax: 38,3°C. Dor à palpação do epigástrio, sem sinais de irritação peritoneal. Restante do exame clínico normal. Exames: hemoglobina: 9 g/dL, leucócitos: 16.450cél/µL, neutrófilos: 11.240 cél/µL, plaquetas: 157.000/µL, creatinina: 0,6 g/dL, amilase: 590(VR 120U/L), lipase: 800(VR 80U/L). Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:
Pancreatite aguda: dor intensa → analgesia potente (morfina é segura) + hidratação + suporte.
A dor intensa é um sintoma cardinal da pancreatite aguda e deve ser tratada agressivamente. O uso de opioides potentes, como a morfina, é seguro e eficaz, não havendo evidências de que cause espasmo do esfíncter de Oddi clinicamente significativo.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que se manifesta com dor abdominal intensa, geralmente no andar superior, associada a náuseas e vômitos. O diagnóstico é estabelecido pela presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. A etiologia mais comum é a litíase biliar e o alcoolismo. O manejo inicial da pancreatite aguda foca em medidas de suporte, incluindo hidratação intravenosa agressiva, analgesia adequada e jejum oral. A dor é um sintoma proeminente e deve ser tratada eficazmente. A morfina é um opioide seguro e eficaz para o controle da dor, e a preocupação histórica com o espasmo do esfíncter de Oddi é considerada clinicamente insignificante pela maioria das diretrizes atuais. A hidratação venosa é crucial para prevenir a hipovolemia e melhorar a perfusão pancreática. A classificação de Atlanta divide a pancreatite aguda em leve, moderadamente grave e grave, baseando-se na presença de falência orgânica e complicações locais. A paciente do caso, com leucocitose e febre, apresenta sinais de resposta inflamatória sistêmica, mas não necessariamente infecção bacteriana que justifique antibióticos de rotina. A indicação de antibióticos é restrita a casos de necrose infectada ou infecções extrapancreáticas. A reintrodução da dieta oral deve ser precoce, assim que houver melhora clínica, sem esperar a normalização laboratorial completa.
A analgesia é fundamental na pancreatite aguda devido à dor intensa. Opioides potentes, como a morfina, são a escolha preferencial. Não há evidências que justifiquem evitar a morfina por suposto espasmo do esfíncter de Oddi, sendo sua eficácia no alívio da dor superior a outros analgésicos.
O jejum é indicado inicialmente para reduzir a estimulação pancreática. No entanto, a reintrodução da dieta oral (líquidos claros, progredindo para dieta leve e com baixo teor de gordura) deve ser feita assim que a dor e os vômitos melhorarem, sem necessidade de aguardar a normalização completa dos exames laboratoriais.
Antibióticos não são indicados rotineiramente na pancreatite aguda não complicada, mesmo com leucocitose e febre, pois estes podem ser parte da resposta inflamatória sistêmica. O uso de antibióticos é reservado para casos de pancreatite necrotizante infectada ou outras infecções extrapancreáticas comprovadas.
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