AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Paciente de 58 anos vem à emergência por quadro de dor e distensão abdominal, náuseas e vômitos há 3 dias. Associado, relata icterícia de escleras, colúria e acolia. Os exames evidenciaram amilase 850 U/L (Valor de Referência – VR até 100 U/L) e hiperbilirrubinemia às custas de bilirrubina direta. Além disso, ALT 126 U/L (alanina aminotransferase – VR 40 U/L) e AST 82 U/L (aspartato aminotransferase – VR 40 U/L). Sobre o caso, analise as assertivas abaixo:I. Nova dosagem de amilase sérica em 2400 U/L dois dias após é indicativo de mau prognóstico.II. Lesão na cabeça do pâncreas pode ser diagnosticada neste caso com a tomografia computadorizada do abdome, e, dentre os diagnósticos diferenciais, devemos considerar pancreatite autoimune por IgG4.III. Elevações dos níveis de ALT (alanina aminotransferase) superior a 3 vezes o valor de referência sugere cálculo biliar como causa da pancreatite. Quais estão corretas?
Pancreatite aguda: ALT > 3x VR sugere etiologia biliar. TC abdome útil para diagnóstico e diferenciais.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas com diversas etiologias. A elevação da ALT (alanina aminotransferase) em mais de 3 vezes o valor de referência é um forte indicador de etiologia biliar, sugerindo a presença de cálculo biliar impactado ou em trânsito. A tomografia computadorizada é essencial para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da necrose e excluir diagnósticos diferenciais, como tumores ou pancreatite autoimune.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, com etiologias variadas, sendo a biliar (por cálculos) e a alcoólica as mais comuns. O diagnóstico baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos 3 vezes o limite superior do normal, e achados de imagem compatíveis. A elevação da ALT (alanina aminotransferase) em mais de 3 vezes o valor de referência é um forte preditor de etiologia biliar para a pancreatite, sugerindo a passagem ou impactação de um cálculo biliar. A tomografia computadorizada do abdome é fundamental para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade (necrose, coleções) e auxiliar no diagnóstico diferencial, como tumores de cabeça de pâncreas ou pancreatite autoimune por IgG4, que podem mimetizar a apresentação clínica. É importante ressaltar que a magnitude da elevação da amilase ou lipase não se correlaciona com a gravidade da pancreatite, nem a persistência da elevação indica mau prognóstico. O prognóstico é avaliado por sistemas de pontuação como Ranson, APACHE II ou BISAP. O manejo inclui suporte clínico, analgesia e tratamento da causa subjacente, como a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) em casos de colangite ou obstrução biliar persistente, sendo crucial para a recuperação do paciente.
Na pancreatite aguda biliar, além da elevação da amilase e lipase séricas (pelo menos 3 vezes o VR), é comum encontrar hiperbilirrubinemia direta e elevação das transaminases (ALT e AST), sendo a ALT > 3 vezes o VR um forte indicador de etiologia biliar.
A tomografia computadorizada do abdome é fundamental para confirmar o diagnóstico de pancreatite aguda, avaliar a extensão da inflamação e necrose pancreática, identificar coleções líquidas e auxiliar no diagnóstico diferencial, como tumores ou pancreatite autoimune.
Não, a magnitude da elevação da amilase sérica não se correlaciona com a gravidade da pancreatite aguda, nem a persistência da elevação indica mau prognóstico. O prognóstico é avaliado por sistemas de pontuação clínica como Ranson, APACHE II ou BISAP.
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