Pancreatite Aguda Recorrente: Manejo Clínico e Nutrição Enteral

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 59 anos apresenta dor epigástrica constante irradiada para o dorso, anorexia, náuseas e vômitos. Havia sido hospitalizada há 1 mês por um episódio de pancreatite com remissão com tratamento clínico em torno de cinco dias, cujo diagnóstico foi uma provável pancreatite aguda biliar. É novamente admitida com diagnóstico de pancreatite aguda recorrente e apresente APACHE II de 5 na admissão. É iniciado um tratamento clínico com melhora clínica com antibióticos e, neste intervalo, uma tomografia de abdome é realizada e mostrada a seguir: Melhor opção para o tratamento neste momento:

Alternativas

  1. A) CPRE e colecistectomia.
  2. B) Cistogastrostomia ou cistojejunoanastomose.
  3. C) Nutrição enteral e observação clínica.
  4. D) Nutrição parenteral total.
  5. E) Debridamento cirúrgico e drenagem do pâncreas.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda recorrente com melhora clínica e APACHE II baixo → Nutrição enteral e observação.

Resumo-Chave

Em casos de pancreatite aguda recorrente com melhora clínica e baixo APACHE II, a nutrição enteral é preferível à parenteral, pois mantém a integridade da barreira intestinal e reduz o risco de infecções. A observação clínica é adequada quando não há sinais de complicação grave ou infecção ativa que exija intervenção invasiva.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave. A recorrência, especialmente de etiologia biliar, é comum e exige uma avaliação cuidadosa. O escore APACHE II (Acute Physiology And Chronic Health Evaluation II) é uma ferramenta importante para estratificar a gravidade da pancreatite na admissão, auxiliando na decisão terapêutica e no prognóstico. Um escore baixo, como 5, sugere um quadro menos grave. O manejo inicial da pancreatite aguda foca em suporte clínico, analgesia, hidratação venosa e controle de náuseas e vômitos. A nutrição é um pilar fundamental; a nutrição enteral precoce é amplamente recomendada em detrimento da nutrição parenteral total, pois mantém a função da barreira intestinal, reduz a translocação bacteriana e diminui o risco de complicações infecciosas. Mesmo na presença de coleções líquidas ou necrose estéril (que a tomografia poderia mostrar), a conduta conservadora com nutrição enteral e observação é frequentemente a melhor opção se o paciente estiver clinicamente estável e em melhora. Intervenções mais invasivas, como CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) e colecistectomia, são indicadas em situações específicas. A CPRE é reservada para colangite aguda ou obstrução biliar persistente. A colecistectomia é recomendada após a resolução do quadro agudo de pancreatite biliar para prevenir recorrências. Drenagem cirúrgica ou endoscópica de coleções pancreáticas é reservada para necrose infectada ou pseudocistos sintomáticos e complicados. A decisão deve ser individualizada, baseada na evolução clínica, escores de gravidade e achados de imagem.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da nutrição enteral na pancreatite aguda?

A nutrição enteral é preferível à parenteral na pancreatite aguda, pois ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, previne a translocação bacteriana e reduz o risco de infecções sistêmicas, além de ser mais fisiológica.

Quando considerar intervenção cirúrgica ou endoscópica na pancreatite?

Intervenções são geralmente indicadas para complicações como necrose infectada, pseudocistos sintomáticos ou complicados (hemorragia, ruptura, obstrução), ou obstrução biliar persistente, e não de rotina em casos de melhora clínica.

O que indica um bom prognóstico na pancreatite aguda?

Um escore APACHE II baixo na admissão, a ausência de falência orgânica persistente, a melhora dos sintomas e dos marcadores inflamatórios, e a ausência de necrose infectada são indicadores de um bom prognóstico.

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