USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Primigesta, 28 anos de idade, com 14 semanas de gestação, apresentou quadro de dor abdominal de forte intensidade na região do epigastro com irradiação para dorso, acompanhada de vômitos. Exames laboratoriais confirmaram pancreatite aguda. Apresentou boa aceitação da dieta no 3º dia após os sintomas, além de normalização de todos os exames laboratoriais. Realizado ultrassom de abdome superior que evidenciou múltiplos cálculos na vesícula biliar de 0,2 a 0,5cm, sem dilatação da via biliar. Qual é a conduta neste momento?
Pancreatite biliar na gestação, após estabilização clínica, a colecistectomia é a conduta definitiva.
Em gestantes com pancreatite aguda biliar, após a resolução do quadro agudo e estabilização clínica, a colecistectomia é a conduta definitiva para prevenir recorrências, idealmente no segundo trimestre.
A pancreatite aguda na gestação é uma condição séria, sendo a colelitíase a causa mais comum. A incidência de cálculos biliares aumenta durante a gravidez devido às alterações hormonais que afetam a motilidade da vesícula biliar e a composição da bile. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com dor abdominal intensa, vômitos e elevação das enzimas pancreáticas. Uma vez diagnosticada a pancreatite aguda de origem biliar e estabilizado o quadro clínico da gestante, a conduta definitiva é a colecistectomia. O objetivo é remover a causa subjacente (os cálculos biliares) e prevenir episódios recorrentes, que podem ser mais graves. A cirurgia é geralmente segura no segundo trimestre, quando os riscos de teratogenicidade e parto prematuro são menores. Acompanhamento clínico isolado (alternativa C) não é adequado, pois não resolve a causa da pancreatite e expõe a gestante a novos episódios. Ultrassom endoscópico (A) e colangiografia endoscópica (B) são exames mais invasivos, indicados para casos de coledocolitíase ou icterícia obstrutiva, que não foram evidenciados no ultrassom inicial da paciente. A colecistectomia é a intervenção curativa e preventiva mais eficaz.
A colecistectomia é preferencialmente realizada no segundo trimestre da gestação, período de menor risco para a mãe e o feto, após a resolução do quadro agudo.
A pancreatite aguda na gestação pode levar a complicações maternas graves, como sepse, falência de múltiplos órgãos, e riscos fetais como parto prematuro e sofrimento fetal.
O diagnóstico baseia-se na clínica (dor epigástrica intensa, vômitos), elevação de amilase e lipase séricas (3x o limite superior) e, se necessário, ultrassonografia para identificar a causa biliar.
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