Pancreatite Biliar na Gestação: Conduta e Momento Cirúrgico

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021

Enunciado

Gestante, 24 anos (G2P1), 18 semanas de gestação pela data da última menstruação, sem comorbidades, internada pela equipe de cirurgia com diagnóstico de pancreatite aguda biliar, sem icterícia, sem febre e ausência de taquicardia. A conduta adequada é:

Alternativas

  1. A) colecistectomia após resolução do quadro de pancreatite.
  2. B) colecistectomia videolaparoscópica seguida do tratamento da pancreatite.
  3. C) colecistectomia via laparotomia (incisão de Kocher – subcostal direita) seguida do tratamento da pancreatite.
  4. D) colecistectomia videolaparoscópica e CPRE.
  5. E) resolução da gestação (a termo) seguida de colecistectomia.

Pérola Clínica

Pancreatite biliar aguda em gestante estável (2º trimestre): tratar clinicamente e realizar colecistectomia *após* resolução do quadro.

Resumo-Chave

Em gestantes com pancreatite aguda biliar e quadro clínico estável, a conduta inicial é o tratamento de suporte da pancreatite. A colecistectomia é indicada para prevenir recorrências e deve ser realizada após a resolução do quadro agudo, preferencialmente no segundo trimestre, que é o período mais seguro para cirurgias não obstétricas.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda biliar é a segunda causa mais comum de pancreatite aguda na gestação, após a hipertrigliceridemia. O manejo dessa condição em gestantes requer uma abordagem multidisciplinar e cuidadosa, visando a saúde materna e fetal. A estabilidade clínica da paciente é o fator determinante para a conduta. Em gestantes com pancreatite aguda biliar e quadro clínico estável (sem sinais de icterícia, febre, taquicardia ou outras complicações graves), a conduta inicial é o tratamento conservador da pancreatite, que inclui hidratação venosa, analgesia e jejum. A colecistectomia é o tratamento definitivo para prevenir recorrências e deve ser realizada após a resolução do quadro agudo. O segundo trimestre da gestação (13 a 28 semanas) é considerado o período mais seguro para cirurgias não obstétricas, devido ao menor risco de teratogenicidade e de parto prematuro. A colecistectomia videolaparoscópica é a técnica preferencial, quando possível, devido à menor morbidade. A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é reservada para casos complicados, como colangite aguda ou obstrução biliar persistente, e deve ser realizada com mínima exposição à radiação. A resolução da gestação não é uma conduta para a pancreatite biliar, a menos que haja complicações obstétricas graves ou a gestação esteja a termo e a mãe esteja instável. O residente deve estar apto a diferenciar as situações e aplicar a conduta mais segura e eficaz.

Perguntas Frequentes

Qual o período mais seguro para cirurgias não obstétricas durante a gestação?

O segundo trimestre (entre 13 e 28 semanas) é considerado o período mais seguro para a realização de cirurgias não obstétricas em gestantes. Nesse período, o risco de teratogenicidade é menor que no primeiro trimestre, e o risco de parto prematuro é menor que no terceiro trimestre.

Quando a CPRE é indicada em gestantes com pancreatite biliar?

A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é indicada em gestantes com pancreatite biliar complicada por colangite aguda, icterícia obstrutiva persistente ou evidência de coledocolitíase com obstrução biliar, para descompressão urgente da via biliar.

Quais são os riscos da colecistectomia durante a gestação?

Os riscos incluem parto prematuro, aborto espontâneo, restrição de crescimento intrauterino e complicações anestésicas. A escolha do momento cirúrgico e a técnica (videolaparoscópica é preferível) visam minimizar esses riscos, sendo o segundo trimestre o período de menor risco.

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