Pancreatite Aguda Biliar: Manejo e Colecistectomia

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 40 anos de idade, com Índice de Massa Corpórea - IMC de 36 kg/m², multípara, com histórico de episódios de dor abdominal em epigástrio com irradiação para o hipocôndrio direito e dorso, associada a episódios de náuseas e vômitos há 9 meses e diagnóstico prévio de colelitíase. Refere que há 36 horas passou a apresentar dor em andar superior do abdome com irradiação para o dorso em barra, de forte intensidade, náuseas, vômitos e colúria. Procurou assistência no serviço de pronto atendimento para uma avaliação médica. Em relação ao caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A dosagem sérica da amilase e lipase tem importante papel no esclarecimento diagnóstico da pancreatite aguda biliar e significante valor prognóstico do surto em relação à gravidade do episódio.
  2. B) Recomenda-se a realização da colecistectomia na mesma internação hospitalar nos pacientes com diagnóstico de pancreatite aguda biliar associada à colelitíase.
  3. C) A ultrassonografia transparietal do abdome superior apresenta elevada acurácia para o diagnóstico de colelitíase, coledocolitíase e pancreatite aguda.
  4. D) O diagnóstico de microcoledocolitíase associado à dilatação de 12 mm do ducto hepático comum e do canal colédoco constituem-se numa contraindicação ao tratamento endoscópico transpapilar para remoção dos cálculos.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda biliar leve → colecistectomia na mesma internação, após melhora clínica.

Resumo-Chave

Em pacientes com pancreatite aguda biliar leve, a colecistectomia é recomendada durante a mesma internação hospitalar, idealmente após a resolução do quadro agudo e antes da alta, para prevenir novos episódios.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda biliar é uma condição inflamatória grave do pâncreas, frequentemente precipitada pela migração de cálculos biliares da vesícula para o ducto colédoco, causando obstrução. É a causa mais comum de pancreatite aguda, especialmente em mulheres multíparas e obesas, como no caso descrito. A dor abdominal intensa em barra, náuseas, vômitos e colúria são sintomas clássicos que levantam a suspeita. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica, elevação de amilase e lipase séricas (pelo menos 3x o limite superior) e achados de imagem, como a ultrassonografia abdominal, que pode identificar colelitíase e dilatação das vias biliares. A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) podem ser necessárias para confirmar coledocolitíase. O tratamento inicial é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e manejo de complicações. Para a pancreatite aguda biliar leve, a colecistectomia é recomendada na mesma internação, após a resolução do quadro agudo, para prevenir recorrências. Em casos de coledocolitíase obstrutiva com colangite, a CPER com esfincterotomia e remoção do cálculo é indicada precocemente.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da amilase e lipase no diagnóstico da pancreatite aguda?

A dosagem de amilase e lipase séricas é crucial para o diagnóstico, com elevações de pelo menos três vezes o limite superior da normalidade. No entanto, seus níveis não se correlacionam diretamente com a gravidade da pancreatite.

Quando a colecistectomia é indicada após um episódio de pancreatite aguda biliar?

A colecistectomia é indicada na mesma internação hospitalar para pacientes com pancreatite aguda biliar leve, após a melhora clínica, para prevenir recorrências. Em casos graves, pode ser adiada.

Como a ultrassonografia abdominal contribui para o diagnóstico da pancreatite biliar?

A ultrassonografia é o método de escolha para identificar colelitíase e dilatação de vias biliares, sendo fundamental para determinar a etiologia biliar da pancreatite. Sua acurácia para coledocolitíase pode ser limitada.

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