CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Você é chamado para avaliar um paciente na enfermaria da clínica médica, sob o diagnóstico de pancreatite aguda biliar. O paciente tem história de dor contínua, em barra, intensa, associado a vômitos e sinais de hipovolemia iniciado há cerca de 3 semanas, evoluindo com choque refratário às condutas iniciais e insuficiência renal, sendo encaminhado a UTI. Ao fim da primeira semana, obteve estabilização do status hemodinâmico e melhora dos níveis séricos das escórias nitrogenadas, no entanto mantinha dor epigástrica irradiada para o dorso, náuseas e vômitos ocasionais e baixa tolerância a alimentação pela via oral. O tratamento clínico de suporte foi mantido, iniciada dieta enteral e realizada tomografia computadorizada que evidenciou necrose de 30 a 50% do pâncreas e coleção fluida retroperitoneal peripancreática. Neste momento, após 3 semanas de tratamento, o paciente encontra-se hemodinamicamente estável, com função renal normal, ausência de febre, dor controlável sem morfina e aceitando dieta oral. Sua tomografia de controle evidencia organização da coleção peripancreática e manutenção do grau de necrose pancreática. Sobre os próximos passos da conduta desta paciente, assinale a alternativa CORRETA:
Pancreatite aguda estável + necrose estéril → Conduta conservadora (expectante).
Em pacientes com pancreatite aguda que apresentam estabilidade clínica e ausência de sinais de infecção, coleções e necroses devem ser observadas, pois tendem à resolução espontânea.
A pancreatite aguda biliar pode evoluir com complicações locais como necrose e coleções fluidas. A fase tardia (após 1-2 semanas) é marcada pela organização dessas coleções. Se o paciente apresenta estabilidade hemodinâmica, ausência de febre e boa tolerância alimentar, a conduta deve ser expectante, independentemente da porcentagem de necrose pancreática. A intervenção precoce (antes de 4 semanas) em coleções não infectadas aumenta significativamente a morbimortalidade. O foco do tratamento nesta fase é o suporte nutricional (preferencialmente enteral) e o controle da dor, aguardando a reabsorção ou organização das lesões pancreáticas.
A intervenção, preferencialmente pelo 'step-up approach' minimamente invasivo, está indicada apenas na necrose infectada confirmada ou suspeita com deterioração clínica, ou em casos de obstrução biliar/gástrica persistente por coleções organizadas (walled-off necrosis) após 4 a 6 semanas do início do quadro.
Não. Diretrizes atuais (IAP/APA, ACG) contraindicam o uso rotineiro de antibióticos profiláticos na pancreatite aguda, independentemente da extensão da necrose visualizada na tomografia, reservando-os para casos de infecção comprovada ou forte suspeita clínica (febre persistente, leucocitose, piora orgânica).
A coleção fluida peripancreática aguda ocorre nas primeiras 4 semanas da pancreatite intersticial e não possui parede definida. O pseudocisto é uma coleção encapsulada por uma parede inflamatória bem definida que surge após 4 semanas de evolução.
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