CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, 28 anos, obesa, dá entrada no serviço de pronto atendimento queixando dor abdominal contínua, intensa, em andar superior do abdome, irradiada para o dorso, há cerca de 8 horas, associada a vômitos. Nega febre, comorbidades, história de abuso de álcool e de episódios anteriores de dor. Ao exame físico, apresentava fascies de dor, lúcida e orientada, anictérica, FC: 90bpm, FR: 24irpm, P.A.: 100x80mmHg e oligúria. Seu abdome é globoso, bastante doloroso à palpação do andar superior, sem sinais de irritação peritoneal. Na avaliação laboratorial inicial, apresentava hemoglobina 12g/dl, hematócrito 42%, 11.000 leucócitos, lipase sérica de 1.800U/l, uréia: 20mg/dl e creatinina 1,0mg/dl. Sobre a conduta inicial para o caso, assinale a alternativa CORRETA:
Pancreatite aguda biliar grave → CPRE precoce se colangite ou obstrução biliar persistente, mesmo sem icterícia evidente.
A pancreatite aguda biliar, especialmente com sinais de gravidade ou forte suspeita de obstrução biliar persistente, pode requerer CPRE precoce. Embora a icterícia seja um sinal clássico de obstrução, outros indicadores como dor progressiva e leucocitose podem levantar a suspeita, justificando a intervenção para prevenir complicações.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas com incidência crescente, sendo a etiologia biliar (cálculos na vesícula) e alcoólica as mais comuns. Caracteriza-se por dor abdominal intensa e elevação de enzimas pancreáticas. É crucial para residentes reconhecer e estratificar a gravidade para um manejo adequado, pois pode evoluir para formas graves com alta morbimortalidade. O diagnóstico baseia-se na clínica, lipase sérica elevada e achados de imagem. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas, levando à autodigestão do órgão. A suspeita de etiologia biliar é alta em pacientes obesos, do sexo feminino, com história de dispepsia ou sem outros fatores de risco evidentes. A avaliação da gravidade é fundamental para guiar a conduta. O tratamento inicial da pancreatite aguda é de suporte, com hidratação venosa vigorosa, analgesia e suporte nutricional. A CPRE precoce é uma intervenção específica para pancreatite biliar grave associada a colangite aguda ou obstrução biliar persistente, visando remover o cálculo obstrutivo. A decisão de realizar CPRE deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios, e não é indicada rotineiramente para todos os casos de pancreatite biliar.
A pancreatite aguda manifesta-se tipicamente com dor abdominal intensa e contínua no andar superior do abdome, frequentemente irradiada para o dorso, associada a náuseas e vômitos. A elevação da lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade confirma o diagnóstico.
A CPRE precoce (nas primeiras 24-72 horas) é indicada na pancreatite aguda biliar quando há evidência de colangite aguda ou obstrução biliar persistente, como icterícia progressiva, dilatação de vias biliares em exames de imagem ou deterioração clínica. A ausência de icterícia não exclui a necessidade se houver forte suspeita de obstrução.
Critérios de gravidade incluem sinais de resposta inflamatória sistêmica (SIRS), falência orgânica (respiratória, renal, cardiovascular), necrose pancreática e coleções peripancreáticas. A avaliação inicial com escores como Ranson ou APACHE II, ou critérios de SIRS, auxilia na estratificação de risco.
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