SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Um homem de 32 anos está internado por pancreatite aguda. Está estável hemodinamicamente, afebril, e tem boa perfusão peri- férica, com tempo de enchimento capilar < 2 segundos. Amilase: 750 UI/L, bilirrubina total: 1,5 mg/dL, leucócitos: 17.500/mm3, PCR (proteína C reativa): 250 mg/L, fosfatase alcalina: 150 U/L, gama-GT: 80 U/L. O ultrassom mostra colelitíase, com múltiplos cál- culos de até 0,5 cm de diâmetro e pequena dilatação de vias biliares. Além de jejum, analgesia e hidratação parenteral, o trata- mento inicial desse paciente deve incluir
Pancreatite aguda biliar leve (estável, sem sinais de infecção ou colangite) → Jejum, hidratação, analgesia e observação. CPRE não é rotina.
Em pancreatite aguda biliar, se o paciente está hemodinamicamente estável, afebril, sem sinais de colangite ou infecção sistêmica, e sem obstrução biliar grave/progressiva, o tratamento inicial é conservador (jejum, hidratação, analgesia). A CPRE é indicada apenas em casos de colangite aguda concomitante ou obstrução biliar persistente. Antibioticoterapia profilática não é recomendada.
A pancreatite aguda é uma doença inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de morbimortalidade significativa. A colelitíase é a causa mais comum de pancreatite aguda, sendo responsável por cerca de 40-70% dos casos. O manejo inicial é crucial e foca no suporte clínico e na identificação de complicações. No caso apresentado, o paciente tem pancreatite aguda biliar, mas está hemodinamicamente estável, afebril e com boa perfusão. Embora apresente leucocitose e PCR elevados, esses são marcadores inflamatórios comuns na pancreatite aguda e não indicam, por si só, a necessidade de antibioticoterapia profilática, que não é recomendada e pode aumentar o risco de infecções fúngicas. A pequena dilatação das vias biliares e a bilirrubina discretamente elevada sugerem a causa biliar, mas não há sinais de colangite aguda (febre, icterícia significativa, dor em hipocôndrio direito) que justificariam uma CPRE de urgência. O tratamento inicial para a maioria dos casos de pancreatite aguda leve a moderada é conservador, consistindo em jejum oral (com progressão da dieta conforme tolerância), hidratação intravenosa agressiva para prevenir a hipovolemia e a isquemia pancreática, e analgesia adequada. A CPRE é reservada para casos de colangite aguda concomitante ou obstrução biliar persistente e grave. A colecistectomia é indicada após a resolução do quadro agudo para prevenir recorrências da pancreatite biliar.
A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é indicada na pancreatite aguda biliar principalmente em casos de colangite aguda concomitante ou obstrução biliar persistente e progressiva, geralmente evidenciada por icterícia obstrutiva ou dilatação significativa das vias biliares com piora clínica. Não é indicada de rotina em pacientes estáveis.
Não, a antibioticoterapia profilática não é recomendada na pancreatite aguda, mesmo com leucocitose e PCR elevados, pois esses são marcadores de inflamação sistêmica e não necessariamente de infecção. Os antibióticos são indicados apenas em casos de infecção comprovada ou suspeita de necrose infectada, ou colangite aguda.
Os pilares do tratamento inicial conservador da pancreatite aguda incluem jejum oral para repouso pancreático, hidratação intravenosa agressiva para manter a perfusão e prevenir a isquemia, e analgesia potente para controle da dor. A monitorização clínica e laboratorial é fundamental para identificar sinais de piora ou complicações.
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