HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Homem, 45 anos, com história de coletitíase sintomática, é admitido no hospital com dor súbita e intensa na região superior do abdómen. Relata que a dor é contínua, de natureza cortante e irradia para as costas. Além disso, apresenta náuseas e vómitos recorrentes. Ao exame físico: está em posição antálgica, com icterícia leve; tem dor difusa à palpação abdominal. Sem alterações nos sinais vitais. Os exames laboratoriais evidenciam amilase de 4312 U/L, lipase 22083 U/L, AST 472 U/L, gama glutamil transferase 550 U/L, fosfatase alcalina 540 U/L, bilirrubina total de 3,2 mg/dL e bilirrubina direta de 2,4 mg/dL. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a conduta mais adequada para o caso, dentre as alternativas apresentadas?
Pancreatite aguda biliar com icterícia e colestase → investigar via biliar com colangioressonância.
Paciente com pancreatite aguda de etiologia biliar (colelitíase, enzimas hepáticas e bilirrubinas elevadas) e icterícia leve, sugere obstrução da via biliar. A colangioressonância é o exame de imagem não invasivo de escolha para avaliar a presença de cálculos na via biliar principal.
A pancreatite aguda é uma inflamação aguda do pâncreas, sendo a etiologia biliar (cálculos na vesícula biliar) a causa mais comum, seguida pelo alcoolismo. O quadro clínico típico envolve dor abdominal súbita e intensa em abdome superior, irradiando para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. A presença de icterícia e elevação de enzimas hepáticas e bilirrubinas sugere fortemente a etiologia biliar e a possível obstrução da via biliar. O diagnóstico é confirmado pela elevação de amilase e lipase séricas (pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados clínicos. A investigação da etiologia é crucial. Em casos de suspeita de pancreatite biliar, especialmente com icterícia, a avaliação da via biliar é imperativa. A colangioressonância (CPRM) é o exame de imagem não invasivo de escolha para detectar cálculos na via biliar principal (coledocolitíase), sem os riscos da CPRE. A conduta inicial para pancreatite aguda inclui hidratação venosa agressiva, analgesia e jejum. A CPRE de urgência é reservada para casos de pancreatite biliar grave associada à colangite aguda ou obstrução biliar persistente. Em pacientes com pancreatite biliar leve a moderada, a colecistectomia é recomendada após a resolução do quadro agudo para prevenir recorrências, e a colangioressonância ajuda a guiar a necessidade de CPRE antes da cirurgia.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos três critérios: dor abdominal característica, amilase e/ou lipase séricas elevadas em pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem.
A colangioressonância é indicada para investigar a presença de cálculos na via biliar principal em pacientes com pancreatite aguda de etiologia biliar, especialmente quando há evidência de colestase ou icterícia, sem sinais de colangite aguda grave.
A colangioressonância é um exame diagnóstico não invasivo para visualizar a via biliar. A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é um procedimento invasivo, diagnóstico e terapêutico, reservado para casos com colangite aguda ou obstrução biliar persistente que necessitem de desobstrução.
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