SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
A colelitíase é a principal causa da seguinte patologia no adulto:
Colelitíase = Causa #1 de Pancreatite Aguda no Brasil e na maioria dos países ocidentais.
A migração de cálculos da vesícula biliar para o colédoco pode obstruir a ampola de Vater, gerando hipertensão ductal pancreática e desencadeando a cascata inflamatória da pancreatite.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória aguda do pâncreas que pode variar de uma doença leve e autolimitada a uma condição grave com falência de múltiplos órgãos. No adulto, a etiologia biliar responde por cerca de 40% a 60% dos casos. A identificação precoce da causa biliar através de exames de imagem (como ultrassonografia de abdome) e testes laboratoriais (elevação de transaminases e bilirrubinas) é crucial para o planejamento terapêutico. A fisiopatologia envolve a teoria do 'canal comum', onde a obstrução distal impede a drenagem pancreática. O diagnóstico requer dois de três critérios: dor abdominal típica, amilase ou lipase três vezes acima do limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem. O tratamento inicial foca em hidratação vigorosa, analgesia e suporte nutricional.
A pancreatite aguda biliar ocorre quando um cálculo biliar migra da vesícula através do ducto cístico para o colédoco, alojando-se temporariamente ou permanentemente na ampola de Vater (papila duodenal maior). Essa obstrução causa um refluxo de bile para o ducto pancreático ou, mais comumente, uma hipertensão ductal pancreática. Esse aumento de pressão intracanalicular leva à ativação prematura das enzimas pancreáticas (como o tripsinogênio em tripsina) ainda dentro do pâncreas, resultando em autodigestão do parênquima e inflamação sistêmica.
O tratamento definitivo para prevenir a recorrência da pancreatite biliar é a colecistectomia. Em casos de pancreatite leve, a recomendação atual é realizar a cirurgia na mesma internação, assim que os sintomas inflamatórios regridam e as enzimas pancreáticas apresentem tendência de queda. Adiar a cirurgia aumenta significativamente o risco de novos episódios de pancreatite, colangite ou colecistite em curto prazo.
Além da colelitíase (causa mais comum), o consumo excessivo de álcool é a segunda causa principal. Outras etiologias incluem a hipertrigliceridemia (especialmente níveis acima de 1000 mg/dL), causas iatrogênicas (pós-CPRE), hipercalcemia, uso de certos medicamentos (como azatioprina e tiazídicos), infecções virais, traumas abdominais e variações anatômicas como o pâncreas divisum.
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