Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Mulher, 43 anos de idade, procurou o Serviço de Emergência devido a dor na região superior do abdome e vômitos há 1 dia. Negava febre. Ao exame clínico: Bom estado geral, desidratada, IMC: 36kg/m² Tórax sem alterações. Abdome: flácido, doloroso à palpação profunda, sem irritação peritoneal. Exames laboratoriais: Hb: 13,4 g/dL; Ht: 40%; Leucócitos: 13.456/mm³; PCR: 12 mg/L; amilase 1300 U/L; lipase: 2100 U/L; enzimas hepáticas sem alterações. Ultrassonografia de abdome: litíase biliar, sem distensão e sem espessamento da vesícula. Via biliar sem dilatação. Pâncreas de difícil caracterização devido a interposição gasosa. Hoje, está com 2 dias de internação e com controle da dor abdominal e boa aceitação de dieta via oral. Qual é o próximo passo na condução do caso?
Pancreatite biliar leve, estabilizada, com melhora clínica → colecistectomia precoce (mesma internação).
Pacientes com pancreatite aguda de etiologia biliar, que apresentam melhora clínica e laboratorial, devem ser submetidos à colecistectomia durante a mesma internação para prevenir novos episódios. A cirurgia é segura e eficaz após a resolução do quadro agudo.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas, frequentemente causada por litíase biliar ou consumo de álcool. O diagnóstico baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase/lipase séricas (3x o limite superior) e achados de imagem compatíveis. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial para identificar a etiologia biliar. O manejo inicial da pancreatite aguda inclui suporte hidroeletrolítico vigoroso, analgesia e controle de náuseas/vômitos. Em casos de etiologia biliar, a colecistectomia é crucial para prevenir recorrências. Se a pancreatite for leve e o paciente estiver clinicamente estável e com melhora laboratorial, a colecistectomia deve ser realizada durante a mesma internação, idealmente nos primeiros dias. A decisão de realizar a colecistectomia precocemente em pacientes com pancreatite biliar leve e resolvida é um ponto chave na prática clínica e em provas de residência. Adiar a cirurgia aumenta significativamente o risco de um novo episódio de pancreatite ou outras complicações biliares, como colecistite aguda ou colangite, que podem ser mais graves.
A litíase biliar (cálculos na vesícula biliar) e o consumo excessivo de álcool são as duas principais causas de pancreatite aguda, respondendo pela maioria dos casos.
Em casos de pancreatite aguda biliar leve, após a resolução do quadro inflamatório e estabilização clínica, a colecistectomia é indicada durante a mesma internação para prevenir novos episódios.
Amilase e lipase séricas elevadas são marcadores diagnósticos. A ultrassonografia abdominal é fundamental para identificar a etiologia biliar. Em casos selecionados, tomografia ou colangiorressonância podem ser úteis para avaliar complicações ou a via biliar.
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