Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Conduta Inicial

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 50 anos de idade, com diagnóstico prévio de colelitíase realizado por ecografia abdominal, procura atendimento na emergência com dor abdominal intensa na região epigástrica, que irradia para o dorso, descrita pelo paciente como dor em faixa, acompanhada de náuseas e vômitos, iniciada há 24 horas. O paciente parece ansioso e em desconforto. Ao exame físico, observa-se sensibilidade à palpação na região epigástrica e dor à palpação profunda no quadrante superior direito do abdome. Os sinais vitais apresentam PA = 140 mmHg x 90 mmHg, FC = 110 bpm, FR = 24 irpm, temperatura = 36,5 °C e SatO2 = 97% em ar ambiente. Foram realizados exames laboratoriais com achado de amilase de 1450 unidades/litro e lipase de 900 unidades/litro, leucócitos de 14000, LDH 300, glicemia de 359, além de AST de 200. O diagnóstico mais provável e a conduta inicial apropriada para esse caso é

Alternativas

  1. A) pancreatite aguda grave - iniciar imediatamente a administração de antibióticos de amplo espectro.
  2. B) colecistite aguda - administrar analgésicos e encaminhar para avaliação cirúrgica eletiva.
  3. C) pancreatite aguda grave - encaminhar para cirurgia de emergência para remoção da vesícula biliar.
  4. D) pancreatite aguda leve - iniciar jejum oral, e administrar líquidos endovenosos e solicitar tomografia para avaliação dos critérios de Balthazar.
  5. E) infarto agudo do miocárdio - solicitar avaliação cardiológica urgente.

Pérola Clínica

Dor em faixa + Amilase/Lipase > 3x LSN = Pancreatite Aguda.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda biliar requer estabilização hemodinâmica, analgesia e jejum. A gravidade é definida por falência orgânica ou complicações locais, não apenas pelos níveis de enzimas.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma resposta inflamatória do pâncreas a diversas agressões, sendo a litíase biliar a causa mais comum. O manejo inicial foca na reposição volêmica agressiva e controle da dor. A classificação de Atlanta revisada divide a gravidade em leve (sem falência orgânica), moderadamente grave (falência transitória < 48h) e grave (falência persistente > 48h). O uso de escores como Ranson ou APACHE II auxilia na predição de risco, mas a resposta clínica à hidratação é o principal marcador prognóstico inicial.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de pancreatite aguda?

O diagnóstico requer pelo menos 2 de 3 critérios: dor abdominal típica (epigástrica em faixa), amilase ou lipase > 3x o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC, RM ou USG).

Quando indicar antibióticos na pancreatite?

Antibióticos não são indicados de rotina, mesmo na pancreatite grave. Devem ser reservados para casos de necrose infectada comprovada (por punção ou gás na TC) ou suspeita clínica forte de infecção extrapancreática.

Qual o papel da TC de abdome na pancreatite?

A TC com contraste é o padrão-ouro para avaliar complicações locais como necrose e coleções (Critérios de Balthazar), mas deve ser realizada preferencialmente após 48-72 horas do início dos sintomas para maior acurácia.

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