Indicações de CPRE na Pancreatite Aguda Biliar

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 62 anos, sexo feminino, procura o pronto-atendimento com quadro de dor abdominal em andar superior, de início súbito, com irradiação para o dorso, acompanhada de náuseas e três episódios de vômitos. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, hemodinamicamente estável (Pressão Arterial 125x80 mmHg, Frequência Cardíaca 88 bpm), afebril e com discreta icterícia conjuntival. Os exames laboratoriais revelam: Amilase 1.550 U/L (Valor de Referência: até 125 U/L), Lipase 980 U/L (Valor de Referência: até 60 U/L), Bilirrubina Total 3,2 mg/dL com fração Direta de 2,6 mg/dL, Fosfatase Alcalina 180 U/L e GGT 210 U/L. A ultrassonografia de abdome superior demonstra vesícula biliar com paredes finas, contendo múltiplos cálculos diminutos, e colédoco com calibre de 8 mm, sem imagens sugestivas de cálculos em seu interior. Diante do quadro de pancreatite aguda de provável etiologia biliar, qual é a conduta mais adequada em relação à abordagem da via biliar por Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE)?

Alternativas

  1. A) Realizar CPRE precocemente (nas primeiras 24 a 48 horas) para descompressão da via biliar devido à dilatação do colédoco e níveis elevados de bilirrubinas.
  2. B) Contraindicar a CPRE devido ao risco de agravamento da pancreatite, optando-se pela drenagem biliar percutânea trans-hepática imediata.
  3. C) Indicar a CPRE apenas se houver evidência clínica de colangite aguda associada ou sinais de obstrução biliar persistente.
  4. D) Solicitar CPRE de rotina para todos os pacientes com pancreatite biliar para realizar a papilotomia e prevenir a recorrência do quadro inflamatório.

Pérola Clínica

CPRE na pancreatite biliar → Apenas se houver Colangite associada ou Obstrução Biliar Persistente.

Resumo-Chave

A CPRE não é rotina na pancreatite biliar; sua indicação precoce (<24-48h) reserva-se a casos de colangite aguda ou obstrução biliar mantida (icterícia progressiva).

Contexto Educacional

A pancreatite aguda biliar é causada pela obstrução temporária ou persistente do ducto pancreático por cálculos oriundos da vesícula biliar. Na grande maioria dos casos (cerca de 80%), o cálculo passa espontaneamente para o duodeno antes da necessidade de intervenção endoscópica. As diretrizes internacionais (IAP/APA) são claras: a CPRE não deve ser realizada de rotina. Ela é um procedimento terapêutico para desobstrução biliar e não para o tratamento da inflamação pancreática em si. Em pacientes estáveis, sem colangite, a conduta é suporte clínico e colecistectomia na mesma internação. A colangiorressonância ou o ecoendoscopia podem ser usados em casos de dúvida diagnóstica sobre a persistência do cálculo no colédoco antes de se optar pela CPRE.

Perguntas Frequentes

Quando a CPRE é obrigatória na pancreatite biliar?

A CPRE precoce (idealmente em menos de 24 horas) é mandatória quando há evidência clínica de colangite aguda associada, caracterizada pela Tríade de Charcot (dor abdominal, febre e icterícia).

Dilatação do colédoco isolada justifica a realização de CPRE?

Não. A dilatação do colédoco pode ser um achado residual da passagem de um cálculo que já foi expelido. A CPRE só deve ser considerada se houver sinais de obstrução biliar persistente, como icterícia progressiva ou níveis de bilirrubina que não declinam.

Qual o risco de realizar CPRE desnecessária na pancreatite?

A CPRE é um procedimento invasivo que pode causar complicações graves, incluindo sangramento, perfuração duodenal e a própria pancreatite pós-CPRE, o que pode agravar o quadro inflamatório já existente do paciente.

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