PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Paciente de 42 anos é admitido no pronto socorro do Hospital Universitário Cajuru com queixa de dor abdominal. O paciente apresenta uma dor em região epigástrica, irradiada para o dorso. Você suspeita que o paciente está com um quadro de pancreatite aguda. Considerando a epidemiologia, qual a etiologia mais comum para o quadro do paciente?
Causa #1 de Pancreatite Aguda no Brasil = Biliar (Cálculos); Causa #2 = Alcoólica.
A pancreatite aguda biliar é a etiologia mais comum mundialmente, decorrente da obstrução do ducto pancreático por cálculos oriundos da vesícula biliar.
A pancreatite aguda é uma das principais causas de internação por doenças gastrointestinais. A identificação da etiologia biliar é crucial, pois dita o manejo definitivo: a realização de colecistectomia na mesma internação (para casos leves) a fim de prevenir a recorrência, que pode ser grave. A epidemiologia mostra uma predominância da causa biliar em mulheres e da causa alcoólica em homens, mas globalmente a litíase biliar permanece como o fator etiológico número um.
A pancreatite biliar ocorre quando um cálculo biliar migra da vesícula através do ducto cístico para o colédoco, obstruindo temporária ou permanentemente a ampola de Vater. Essa obstrução causa um aumento da pressão no ducto pancreático e pode permitir o refluxo de bile para o pâncreas, levando à ativação prematura das enzimas pancreáticas (como o tripsinogênio em tripsina) ainda dentro do parênquima. Isso resulta em autodigestão pancreática, inflamação local e sistêmica.
O diagnóstico requer pelo menos 2 de 3 critérios: 1) Dor abdominal sugestiva (epigástrica, início agudo, irradiação para o dorso em barra); 2) Amilase ou lipase sérica pelo menos 3 vezes acima do limite superior da normalidade; 3) Achados característicos em exames de imagem (TC com contraste, RM ou USG). A lipase é mais específica e permanece elevada por mais tempo que a amilase.
Além da biliar (30-60%) e alcoólica (15-30%), outras causas incluem hipertrigliceridemia (geralmente > 1000 mg/dL), hipercalcemia, causas iatrogênicas (pós-CPRE), medicamentos (azatioprina, tiazídicos, valproato), traumas abdominais, infecções (caxumba, CMV) e causas anatômicas/genéticas. Em cerca de 10-20% dos casos, a etiologia permanece idiopática após a investigação inicial.
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