UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015
Paciente de 25 anos, sexo feminino, deu entrada no Pronto-Socorro com dor abdominal em barra, no andar superior do abdômen, associada a náuseas e vômitos. Exames laboratoriais demonstraram leucócitos de 11700, amilase de 845, ausência de distúrbios hidroeletrolíticos. Foi solicitado US de abdome superior, que identificou vesícula biliar de paredes finas e lisas, contendo microcálculos em seu interior, sem dilatação de vias biliares intra ou extra hepáticas. Em relação à patologia em questão, são feitas as seguintes afirmações:I. A tomografia de abdome torna-se indispensável para a correta avaliação da gravidade da pancreatite, sendo necessária sua realização nas primeiras 48h de internação;II. A administração de antibioticoterapia neste caso é prudente, devendo ser iniciado carbapenêmicos, devido a sua boa penetração no tecido pancreático;III. A abordagem cirúrgica deve ser o mais precoce possível;IV. A colecistectomia deve ser realizada após resolução do quadro de pancreatite, de preferência na mesma internação, caso a paciente evolua com abscesso pancreático;V. ALT, glicemia, DHL são exames importantes a serem solicitados na ocasião da internação do paciente.Marque a opção CORRETA.
Pancreatite aguda biliar → colecistectomia pós-resolução do quadro, idealmente na mesma internação, para prevenir recorrência.
A colecistectomia é crucial na pancreatite aguda de origem biliar para prevenir recorrências. Ela deve ser realizada após a estabilização do quadro agudo, preferencialmente durante a mesma internação, para evitar novos episódios.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, sendo a etiologia biliar (cálculos na vesícula biliar) a causa mais comum. O diagnóstico é baseado na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. A avaliação inicial foca na hidratação vigorosa e analgesia. A avaliação da gravidade é crucial para o manejo. Embora existam escores como Ranson e APACHE II, a tomografia de abdome com contraste não é indicada rotineiramente nas primeiras 48-72 horas, pois pode subestimar a extensão da necrose e não altera a conduta inicial. Ela é reservada para casos de dúvida diagnóstica, ausência de melhora clínica ou suspeita de complicações como necrose infectada. A antibioticoterapia profilática não é recomendada; é indicada apenas em casos de necrose infectada comprovada. Para pancreatite aguda de origem biliar, a colecistectomia é o tratamento definitivo para prevenir recorrências. Recomenda-se que seja realizada após a resolução do quadro agudo, idealmente durante a mesma internação, antes da alta hospitalar, para evitar novos episódios. A abordagem cirúrgica precoce (ERCP) é indicada apenas em casos de colangite aguda concomitante ou obstrução biliar persistente.
A colecistectomia é indicada para pacientes com pancreatite aguda de origem biliar após a resolução do quadro agudo, preferencialmente durante a mesma internação, para prevenir recorrências.
Não, a tomografia de abdome não é indispensável nas primeiras 48-72h para avaliar a gravidade da pancreatite aguda. Ela é reservada para casos de dúvida diagnóstica ou piora clínica após esse período, quando as alterações necróticas são mais visíveis.
A antibioticoterapia profilática não é recomendada na pancreatite aguda. Seu uso é restrito a casos de necrose infectada comprovada ou suspeita, ou em situações específicas de colangite associada.
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