IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Mulher de 48 anos, previamente hígida, é admitida no pronto-socorro com quadro de dor abdominal em andar superior, náuseas e vômitos há 24 horas. Exames laboratoriais revelam elevação de amilase e lipase séricas, além de leve aumento de bilirrubinas e transaminases. A ultrassonografia de abdome mostra vesícula biliar com múltiplos cálculos, tendo o colédoco calibre normal. O diagnóstico de pancreatite aguda biliar leve é confirmado. A paciente evolui bem com tratamento clínico conservador, apresentando melhora progressiva do quadro. A conduta mais adequada em relação à possível indicação de colecistectomia no caso seria:
Pancreatite biliar leve → Colecistectomia na mesma internação após melhora clínica.
A colecistectomia precoce, realizada ainda na primeira internação após a resolução dos sintomas, reduz drasticamente o risco de recidiva biliar e complicações graves em pacientes com pancreatite leve.
A pancreatite biliar ocorre devido à obstrução transitória ou persistente da ampola de Vater por um cálculo biliar, desencadeando a ativação intraglandular de enzimas pancreáticas. A classificação de Atlanta divide a gravidade em leve, moderadamente grave e grave, baseada na presença de falência orgânica e complicações locais. Em casos leves, a prioridade é a prevenção da recorrência. A literatura médica é sólida ao afirmar que a 'colecistectomia index' (na mesma internação) é o padrão-ouro. O adiamento só se justifica em condições clínicas proibitivas ou em casos de pancreatite grave, onde o foco inicial é o suporte intensivo e o manejo das complicações locais.
Estudos randomizados demonstraram que a realização da colecistectomia antes da alta hospitalar em casos de pancreatite biliar leve reduz significativamente a taxa de readmissão por complicações biliares (nova pancreatite, colecistite ou cólica biliar) em comparação com a conduta expectante ou cirurgia tardia. Uma vez que o processo inflamatório da pancreatite leve regride rapidamente, a cirurgia é segura e evita que o paciente sofra um novo insulto biliar enquanto aguarda o procedimento ambulatorial.
Diferente da pancreatite leve, na pancreatite aguda grave (com necrose peripancreática ou falência orgânica persistente), a colecistectomia deve ser adiada. O consenso recomenda aguardar pelo menos 6 semanas ou até que as coleções líquidas se resolvam ou se organizem (walled-off necrosis). Operar precocemente em vigência de necrose infectada ou inflamação sistêmica intensa aumenta drasticamente a morbimortalidade e o risco de complicações técnicas.
A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) não é rotina na pancreatite biliar. Ela está indicada apenas se houver colangite associada ou obstrução biliar persistente (icterícia progressiva ou colédoco dilatado com cálculo visível). Se os exames laboratoriais (bilirrubinas) estiverem em queda e não houver sinais de infecção da via biliar, a colecistectomia pode ser realizada diretamente, preferencialmente com colangiografia intraoperatória para descartar cálculos residuais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo