SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Um paciente de 58 anos de idade deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor abdominal intensa, localizada no quadrante superior direito, com irradiação para o dorso. O paciente relatou o início súbito da dor há aproximadamente 12 horas, associada a náuseas e vômitos frequentes. O histórico médico do paciente revela recente colelitíase diagnosticada. Na admissão, os sinais vitais apresentam PA = 130 mmHg x 80 mmHg, FC = 110 bpm, FR = 18 irpm, temperatura = 38,5 °C. Ao exame físico, observaram-se abdome com sensibilidade à palpação profunda no quadrante superior direito, sinal de Murphy positivo. Realizou exames laboratoriais com resultado de amilase sérica e lipase elevadas. Os exames de imagem demostraram, na ultrassonografia abdominal, evidência de colelitíase e dilatação da via biliar comum. Na tomografia computadorizada abdominal, houve a confirmação de pancreatite aguda biliar. Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa que indica o próximo passo no manejo desse paciente com pancreatite aguda biliar confirmada.
Pancreatite aguda biliar com obstrução/colangite → CPRE precoce (24-72h) para desobstrução.
O paciente apresenta pancreatite aguda biliar com sinais de obstrução biliar (dilatação da via biliar comum, dor QSD, febre, taquicardia). Nesses casos, a CPRE é o próximo passo essencial para remover o cálculo impactado e aliviar a obstrução, prevenindo complicações graves como a colangite supurativa.
A pancreatite aguda biliar é uma das causas mais comuns de pancreatite aguda, resultante da migração de cálculos biliares que obstruem o ducto biliar comum ou o ducto pancreático. A rápida identificação e manejo são cruciais para prevenir complicações graves, como necrose pancreática infectada, formação de pseudocistos e falência de múltiplos órgãos. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica (dor abdominal intensa, náuseas, vômitos), elevação de amilase e lipase séricas (pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem (ultrassonografia, tomografia computadorizada) que confirmam a inflamação pancreática e a presença de colelitíase ou dilatação da via biliar. A presença de sinais de obstrução biliar ou colangite aguda é um fator determinante para a conduta. Em pacientes com pancreatite aguda biliar e evidência de obstrução biliar ou colangite, a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) com esfincterotomia e extração de cálculo é o próximo passo terapêutico essencial e deve ser realizada precocemente. Após a resolução do quadro agudo, a colecistectomia laparoscópica é indicada para prevenir novos episódios. Residentes devem estar aptos a reconhecer os critérios para indicação de CPRE e o manejo escalonado da pancreatite aguda biliar.
Sinais de obstrução biliar incluem dor abdominal intensa no quadrante superior direito com irradiação para o dorso, icterícia (nem sempre presente inicialmente), febre, calafrios e dilatação da via biliar comum em exames de imagem. O sinal de Murphy positivo também pode estar presente.
A CPRE é indicada de forma urgente (nas primeiras 24-72 horas) em pacientes com pancreatite aguda biliar que apresentam sinais de colangite aguda (febre, icterícia, dor abdominal) ou evidência de obstrução biliar persistente, como dilatação da via biliar comum ou cálculo impactado.
A colecistectomia é recomendada para prevenir recorrências de pancreatite biliar. Idealmente, deve ser realizada durante a mesma internação, após a resolução do quadro agudo de pancreatite, mas não de forma emergencial durante a fase aguda com obstrução que requer CPRE.
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