UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2022
Paciente de 73 anos, masculino deu entrada na UPA com dor abdominal difusa em andar superior do abdome há 1 dia associado a náuseas, sem vômitos, sem acolia, colúria, febre ou alteração do hábito intestinal. Ao exame físico, anictérico, abdome flácido, doloroso à palpação superficial e profunda em hipocôndrio direito, Murphy negativo; laboratório com leucócitos 8600/mm³, creatinina 1,34mg/dL, bilirrubinas totais 0,5mg/ml, bilirrubina direta de 0,2mg/ml, TGO 134 mg/dl, TGP 269mg/dl, fosfatase alcalina 200UI/ml , GGT 575 UI/ml, amilase 578 UI. Ultrassonografia mostrando vesícula com moderada distensão, apresentando paredes espessadas e microcálculos no interior. Analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F). ( ) A principal hipótese diagnóstica é pancreatite aguda biliar.( ) O paciente deve ser submetido a ressonância magnética de abdome total com colangioressonância para descartar coledocolitíase.( ) Paciente deve ser submetido à cirurgia o mais rápido possível.( ) A cirurgia ideal que o paciente em questão deve ser submetido é colecistectomia laparoscópica com colangiografia intraoperatória e exploração de via biliar.Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
Pancreatite aguda biliar (amilase ↑, USG microcálculos) → Colecistectomia eletiva pós-resolução do quadro agudo.
A pancreatite aguda biliar é diagnosticada pela elevação de amilase/lipase (>3x o LSN) e evidência de etiologia biliar (cálculos na vesícula ou via biliar). O tratamento inicial é de suporte. A colecistectomia é indicada para prevenir recorrências, mas deve ser realizada após a resolução do quadro inflamatório agudo, idealmente na mesma internação ou em até 2-4 semanas.
A pancreatite aguda biliar é a causa mais comum de pancreatite aguda, respondendo por cerca de 30-40% dos casos. É uma condição inflamatória grave do pâncreas, desencadeada pela obstrução do ducto biliar comum por cálculos biliares, levando à ativação prematura de enzimas pancreáticas e autodigestão do órgão. A identificação precoce da etiologia biliar é fundamental para o manejo adequado e prevenção de recorrências. O diagnóstico baseia-se na tríade de dor abdominal característica, elevação das enzimas pancreáticas (amilase e lipase) e achados de imagem. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial para identificar cálculos na vesícula biliar. A elevação de enzimas hepáticas (TGO, TGP, GGT, FA) em conjunto com a amilase e lipase sugere fortemente a etiologia biliar. A colangioressonância (CPRM) pode ser útil para avaliar a via biliar em casos selecionados, especialmente se houver suspeita de coledocolitíase sem evidência clara na USG. O manejo inicial da pancreatite aguda é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e suporte nutricional. Para a pancreatite biliar, a colecistectomia é o tratamento definitivo para prevenir recorrências. Em casos leves, a cirurgia é realizada durante a mesma internação, após a resolução do quadro agudo. Em casos mais graves, a colecistectomia é postergada por algumas semanas. A colangiografia intraoperatória é recomendada para identificar e tratar coledocolitíase concomitante, garantindo a desobstrução completa da via biliar.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC, USG ou RM).
Em pacientes com pancreatite aguda biliar leve, a colecistectomia deve ser realizada durante a mesma internação, após a resolução do quadro agudo. Em casos de pancreatite moderada a grave, a cirurgia é geralmente adiada por 2 a 4 semanas para permitir a resolução da inflamação e otimizar as condições do paciente.
A colangiografia intraoperatória é crucial para identificar coledocolitíase oculta, que pode ser a causa da pancreatite ou um fator de risco para recorrência. Se cálculos forem encontrados na via biliar principal, eles podem ser removidos durante a mesma cirurgia (exploração da via biliar) ou por CPRE pós-operatória.
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