Pancreatite Aguda: Manejo de Coleções Peripancreáticas

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 48 anos, deu entrada no pronto socorro queixando dor intensa, de início súbito, em região epigástrica e que irradiava para o dorso, associada a vômitos, com evolução de 8 horas. Se apresentava normocorada, anictérica, levemente dispneica e normotensa, com abdome bastante doloroso à palpação em todo o andar superior, sem sinais de irritação peritoneal. A paciente foi internada para investigação e seus exames laboratoriais evidenciaram 12.000 leucócitos com desvio à esquerda, hematócrito e hemoglobina normais, fosfatase alcalina 250U/l, amilase 2.300mg/dl e ultrassonografia com colelitíase. Foi prescrita hidratação venosa, analgesia potente e antieméticos, mas não foram iniciados antibióticos. A paciente evoluiu com estabilidade hemodinâmica, bom débito urinário e regularização da frequência respiratória, porém manteve quadro de importante desconforto abdominal. No 5º dia de internação, foi submetida a tomografia que evidenciou vesícula biliar tópica, normodistendida, com cálculos e aumento do volume e heterogeneidade pancreática com formação de coleção de cerca de 9,0 x 4,0cm ao longo do corpo do pâncreas e densificação da gordura adjacente, sem sinais de compressão gástrica. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A ausência da antibioticoterapia no tratamento inicial foi responsável pela complicação descrita acima.
  2. B) Por tratar-se de abscesso peripancreático, o próximo passo na conduta do caso é a drenagem cirúrgica da loja pancreática.
  3. C) A evolução insatisfatória do caso e a formação da coleção pancreática, classificam o caso como pancreatite grave e indica início imediato de antibioticoterapia de largo espectro.
  4. D) Já que não há compressão gástrica e a paciente se encontra hemodinamicamente estável, o tratamento da coleção neste momento é expectante e sem uso de antibióticos.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda com coleção peripancreática estéril e estável → tratamento expectante, sem ATB ou drenagem imediata.

Resumo-Chave

Em pancreatite aguda, coleções líquidas peripancreáticas estéreis e sem sinais de infecção ou compressão de órgãos adjacentes são frequentemente manejadas de forma conservadora. A drenagem é indicada se houver infecção ou sintomas obstrutivos, não apenas pela presença da coleção.

Contexto Educacional

Pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas, frequentemente causada por cálculos biliares ou álcool. Sua incidência varia, sendo uma causa comum de internação hospitalar. O diagnóstico baseia-se em dor abdominal característica, elevação de amilase/lipase e achados de imagem, como ultrassonografia ou tomografia. A fisiopatologia envolve autodigestão pancreática. As complicações incluem coleções líquidas agudas, pseudocistos, necrose estéril ou infectada. A classificação de Atlanta revisada auxilia na estratificação da gravidade e no manejo, sendo a tomografia crucial para avaliar a extensão da necrose e a presença de coleções. O tratamento inicial é suporte, com hidratação venosa agressiva e analgesia potente. Antibióticos não são rotineiramente indicados para pancreatite aguda não infectada ou necrose estéril. Coleções líquidas peripancreáticas estéreis, assintomáticas e sem compressão de órgãos adjacentes geralmente são manejadas de forma expectante, com drenagem reservada para infecção comprovada ou sintomas obstrutivos persistentes.

Perguntas Frequentes

Quando indicar antibióticos na pancreatite aguda?

Antibióticos são indicados na pancreatite aguda apenas em casos de necrose infectada comprovada ou suspeita, ou em infecções extrapancreáticas. Não são recomendados para pancreatite não infectada ou necrose estéril.

Qual a diferença entre coleção líquida aguda e pseudocisto pancreático?

Coleções líquidas agudas são coleções homogêneas sem parede definida que surgem nas primeiras 4 semanas. Pseudocistos pancreáticos são coleções encapsuladas com parede bem definida, que se desenvolvem após 4 semanas de pancreatite.

Quais são os critérios para drenagem de coleções pancreáticas?

A drenagem de coleções pancreáticas é indicada se houver infecção (necrose infectada), sintomas obstrutivos (gástricos, biliares) ou dor persistente, especialmente se a coleção for sintomática e não regredir espontaneamente.

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