USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 33 anos de idade, está internada na enfermaria há 16 dias devido à pancreatite aguda biliar. No início do quadro, apresentou dor abdominal de difícil controle com piora após alimentação, além de empachamento. Em virtude da baixa aceitação alimentar, foi realizada a passagem de sonda nasoenteral para nutrição. Com 10 dias de evolução, optou-se por realizar a tomografia de abdome, conforme imagens a seguir: Atualmente, no 16º dia de internação, encontra-se sem dor, sem vômitos e aceitação plena da dieta. Ao exame físico, apresentou bom estado geral, afebril, ausculta torácica sem alteração, abdome flácido e doloroso à palpação profunda do epigástrio, sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais: Hb: 11,3 g/dL Leucograma: 11.715/mm³ PCR: 71 mg/L Creatinina: 1,1 mg/dL Ureia: 45 mg/dL Fosfatase alcalina: 79 U/l GGT: 110 U/L TGO/AST: 41 U/L TGP/ALT: 51 U/L Considerando as informações apresentadas, assinale a melhor conduta para o caso.
Pancreatite aguda biliar com melhora clínica, sem dor, aceitando dieta oral e sem sinais de irritação peritoneal → alta hospitalar com colecistectomia eletiva.
Em pacientes com pancreatite aguda biliar que apresentam melhora clínica significativa, com resolução da dor, normalização da aceitação alimentar e ausência de sinais de complicação ativa (como infecção da coleção), a conduta mais adequada é a alta hospitalar. A colecistectomia para prevenir recorrências deve ser agendada eletivamente, geralmente após a resolução completa da inflamação.
A pancreatite aguda biliar é uma inflamação aguda do pâncreas causada pela obstrução do ducto biliar comum por cálculos biliares. É a etiologia mais comum de pancreatite aguda e pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para reduzir a morbimortalidade, sendo um tema frequente em provas de residência e na prática clínica. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica (dor abdominal intensa, geralmente em faixa, irradiando para o dorso), elevação de amilase e lipase séricas (pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem (ultrassonografia para identificar cálculos biliares, tomografia de abdome para avaliar a gravidade e complicações). A avaliação da gravidade é fundamental para guiar a conduta, utilizando escores como o de Ranson ou APACHE II, ou critérios como SIRS e PCR. O tratamento inicial é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e jejum. A nutrição enteral precoce é preferível à parenteral. Em casos de pancreatite biliar, a colecistectomia é indicada para prevenir recorrências, sendo realizada eletivamente após a resolução do quadro agudo. Coleções peripancreáticas estéreis geralmente são manejadas de forma conservadora, enquanto as infectadas ou sintomáticas podem exigir drenagem. A alta hospitalar é segura quando o paciente está afebril, sem dor, aceitando dieta oral e com melhora dos marcadores inflamatórios.
Os critérios de alta incluem resolução da dor abdominal, ausência de náuseas e vômitos, capacidade de tolerar dieta oral, estabilidade hemodinâmica, ausência de febre e de sinais de irritação peritoneal. A melhora dos marcadores inflamatórios (PCR) também é um bom indicativo de resolução do quadro agudo.
A colecistectomia é indicada para prevenir recorrências de pancreatite biliar. Em casos de pancreatite aguda leve, pode ser realizada durante a mesma internação, após a resolução do quadro agudo. Em casos mais graves ou com coleções, é preferível aguardar a resolução completa da inflamação (geralmente 4-6 semanas) e agendar o procedimento eletivamente.
A maioria das coleções peripancreáticas estéreis e assintomáticas regride espontaneamente e não requer intervenção. A drenagem (percutânea ou endoscópica) é indicada apenas para coleções infectadas (necrose infectada) ou coleções sintomáticas que causam compressão ou dor persistente.
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