INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020
Paciente mulher 71 anos, com quadro de dor abdominal em andar superior e depois difusa, sem sinal de irritação peritonial, mas associado a distensão e vômitos. Teve um episódio de febre e calafrios associado. Ao exame clínico se encontra desidratada, afebril, eupneica, normocorada, boa perfusão capilar, escleras amareladas. Tórax simétrico e boa expansibilidade com diminuição de murmúrio vesicular esquerdo. Abdômen distendido e peristaltismo diminuído. Resultados que chegaram mostraram leucocitose de 15.000 leucócitos/mm³, amilase de 980mgr/dl, glicemia de 180mgr/dl, uréia de 45mgr/dl, transaminases AST pouco elevada, LDH de 290UI/L. Ultrassom revelou colelitíase e hepatocoledoco de 7mm. Considerando o caso descrito, analise as afirmativas a seguir:I- Esta paciente apresenta pancreatite aguda grave pelos critérios de Ransom.II- Está indicado iniciar antibioticoterapia venosa para esta paciente.III- A CPRE pode ser indicada para esta paciente, mesmo na fase aguda da pancreatite.Está(ão) CORRETA(S) as afirmativas:
Pancreatite aguda biliar com sinais de colangite ou obstrução biliar → CPRE precoce e ATB empírico.
A paciente apresenta pancreatite aguda biliar com sinais de colangite (febre, calafrios, icterícia, leucocitose, dilatação do colédoco), o que justifica a CPRE precoce para desobstrução. A antibioticoterapia é indicada na presença de colangite ou necrose infectada, não profilaticamente. Os critérios de Ranson são para gravidade, mas a indicação de CPRE e ATB é mais guiada pela presença de colangite.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, sendo a etiologia biliar a mais comum. A apresentação clínica inclui dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e, em casos de etiologia biliar, pode haver icterícia e febre. A identificação precoce da etiologia e da gravidade é fundamental para o manejo adequado e para prevenir complicações. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na clínica, elevação de amilase e/ou lipase séricas (pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem. A avaliação da gravidade pode ser feita por escores como Ranson ou APACHE II, ou por critérios clínicos como SIRS. A presença de colangite aguda concomitante, indicada por febre, icterícia e leucocitose, é um fator determinante para a conduta. O tratamento da pancreatite aguda é primariamente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e jejum. A CPRE terapêutica é indicada precocemente em casos de pancreatite aguda biliar com colangite ou obstrução biliar persistente. A antibioticoterapia é reservada para infecções comprovadas, como necrose infectada ou colangite, e não deve ser usada profilaticamente.
A CPRE é indicada em pancreatite aguda biliar quando há evidência de colangite aguda (febre, icterícia, leucocitose, dilatação biliar), obstrução biliar persistente ou piora clínica, geralmente nas primeiras 24-72 horas.
A antibioticoterapia é recomendada na pancreatite aguda apenas na presença de necrose pancreática infectada comprovada, colangite aguda concomitante ou sepse de origem biliar. Não é indicada profilaticamente em pancreatite não complicada.
Os critérios de Ranson são utilizados para avaliar a gravidade da pancreatite aguda, predizendo a morbimortalidade. São avaliados na admissão e após 48 horas, considerando parâmetros como idade, leucócitos, glicemia, LDH, AST, queda do hematócrito, ureia, cálcio, PaO2 e déficit de base.
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