USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem de 60 anos, foi internado há 3 dias por episódio de pancreatite aguda leve. Fez ultrassonografia de abdome com colelitíase e colangiorressonância magnética sem sinais de coledocolitíase. No momento apresenta melhora da dor abdominal, afebril. Exames laboratoriais atuais mostram leucócitos normais, bilirrubina total de 0,9 mg/dL (normal = 0,2 – 1,2 mg/dL), amilase e lipase em queda. Assinale a conduta recomendada neste momento:
Pancreatite biliar leve → Colecistectomia na mesma internação após melhora clínica.
A colecistectomia precoce (na mesma internação) reduz a recorrência de eventos biliares em pacientes com pancreatite aguda leve de etiologia biliar.
A pancreatite aguda biliar é uma das causas mais comuns de inflamação pancreática no Brasil. A classificação de gravidade (Critérios de Atlanta) é fundamental para guiar a conduta: a forma leve não apresenta falência orgânica nem complicações locais/sistêmicas. O pilar do tratamento na fase aguda é o suporte clínico, mas a resolução da causa base (colelitíase) é o que previne a recidiva. Historicamente, temia-se que a cirurgia precoce pudesse agravar a inflamação pancreática, mas evidências robustas (como o estudo PONCHO) demonstraram que a colecistectomia laparoscópica precoce é segura e superior à conduta conservadora inicial seguida de cirurgia tardia. A colangiografia intraoperatória serve como um 'check-point' final para assegurar que nenhum cálculo migrou para o colédoco durante o período de espera cirúrgica.
A recomendação atual é que a colecistectomia seja realizada durante a mesma internação hospitalar, assim que os sintomas clínicos (dor abdominal) e os parâmetros laboratoriais (amilase, lipase, leucócitos) apresentarem melhora significativa. Estudos mostram que adiar o procedimento para 4-6 semanas após a alta resulta em uma taxa de recorrência de complicações biliares de até 25%.
Sim, na maioria dos protocolos de pancreatite biliar, a colangiografia intraoperatória é recomendada durante a colecistectomia para descartar a presença de cálculos residuais na via biliar principal (coledocolitíase), mesmo que exames pré-operatórios como a colangiorressonância tenham sido negativos, garantindo a limpeza total da via biliar.
Não. A pancreatite aguda leve é caracterizada por uma inflamação estéril e autolimitada. O uso de antibióticos profiláticos não reduz a incidência de infecções pancreáticas ou mortalidade e não está indicado. O tratamento baseia-se em hidratação venosa vigorosa, analgesia e realimentação precoce conforme tolerado.
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