Pancreatite Aguda: Diagnóstico, Etiologia e Manejo Inicial

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 48 anos deu entrada no pronto-atendimento com queixa de dor em epigástrio e em hipocôndrio direito, do tipo pontada, sem irradiação, sem febre, dor após alimentação, acompanhada de náuseas, início há 3 dias; primeira vez que apresenta esses sintomas, nunca ingeriu bebida alcoólica. Ao exame apresenta dor à palpação em mesogástrio e hipocôndrio direito, Murphy negativo. Ultrassom de abdome normal, sem leucocitose, amilase e lipase 3x o valor de referência. Qual é o provável diagnóstico e qual é a possível etiologia, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Pancreatite aguda/ hiperlipidemia.
  2. B) Pancreatite aguda/ hiperlipidemia.
  3. C) Pancreatite aguda/ idiopática.
  4. D) Pancreatite crônica agudizada/ hipercalcemia.
  5. E) Pancreatite aguda/ litíase biliar.

Pérola Clínica

Dor epigástrica + amilase/lipase > 3x VR + USG normal → Pancreatite aguda idiopática (se causas comuns excluídas).

Resumo-Chave

O diagnóstico de pancreatite aguda é clínico-laboratorial (dor abdominal característica + elevação de amilase/lipase > 3x VR). Com USG normal e ausência de álcool/litíase, a etiologia mais provável é idiopática, após exclusão de outras causas.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de morbimortalidade significativa. O diagnóstico baseia-se na presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (geralmente epigástrica, com irradiação para o dorso), elevação da amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (embora a imagem não seja essencial para o diagnóstico inicial). No caso apresentado, o paciente tem dor abdominal típica e elevação de amilase e lipase em 3x o valor de referência, confirmando o diagnóstico de pancreatite aguda. As etiologias mais comuns são litíase biliar e alcoolismo. No entanto, o paciente nega álcool, e o ultrassom abdominal é normal, com Murphy negativo, o que torna a litíase biliar menos provável como causa imediata, embora não a exclua completamente sem uma colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou ultrassonografia endoscópica (USE) em casos selecionados. Diante da exclusão das causas mais óbvias e comuns (álcool e litíase biliar não confirmada), a etiologia é classificada como idiopática. É importante lembrar que a hiperlipidemia (especialmente hipertrigliceridemia grave) também é uma causa, mas não foi mencionada nos exames. A hipercalcemia é outra causa menos comum. O manejo inicial envolve suporte clínico, hidratação venosa agressiva e analgesia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (TC ou RM).

Quais são as principais etiologias da pancreatite aguda?

As duas causas mais comuns de pancreatite aguda são a litíase biliar (cálculos biliares) e o consumo excessivo de álcool. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, medicamentos, trauma, infecções e causas idiopáticas.

Quando considerar uma pancreatite aguda como idiopática?

A pancreatite aguda é considerada idiopática quando as causas mais comuns (litíase biliar, álcool, hipertrigliceridemia, medicamentos) foram excluídas após investigação inicial, incluindo ultrassonografia abdominal e exames laboratoriais.

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