Pancreatite Aguda: Diagnóstico Laboratorial e Etiologia

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 45 anos, com histórico de perda ponderal de 45kg em seis meses através de acompanhamento nutricional rigoroso e atividade física, sem histórico de doenças prévias além da obesidade, relata forte dor epigástrica com irradiação para o dorso após a ceia de Natal, deu entrada na urgência do hospital de sua cidade, no interior da Paraíba, com quadro de vômitos biliosos e distensão abdominal. A partir deste quadro é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) O exame de ultrassonografia do abdome total não forneceria dados importantes à investigação clínica do paciente.
  2. B) O leucograma normal afastaria a necessidade de cirurgia de urgência.
  3. C) O principal exame de imagem a ser solicitado nesta situação seria a Colangiorressonância.
  4. D) O paciente necessita obrigatoriamente de internamento.
  5. E) A solicitação de provas de função hepática, amilase e lipase pancreáticas podem fornecer informações valiosas ao diagnóstico.

Pérola Clínica

Dor epigástrica irradiando para dorso + vômitos + perda ponderal rápida → suspeitar pancreatite aguda, investigar amilase/lipase e função hepática (colelitíase).

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor epigástrica intensa com irradiação para o dorso, vômitos e distensão abdominal, especialmente após uma refeição copiosa, é altamente sugestivo de pancreatite aguda. A perda ponderal rápida pode indicar colelitíase como fator de risco, tornando a avaliação de amilase, lipase e função hepática essencial para o diagnóstico e identificação da etiologia.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de morbimortalidade significativa. Sua etiologia mais comum é a colelitíase (cálculos biliares) e o etilismo. O quadro clínico típico envolve dor epigástrica intensa, de início súbito, que irradia para o dorso, acompanhada de náuseas, vômitos e distensão abdominal. A história de perda ponderal rápida pode ser um fator de risco para colelitíase, tornando essa etiologia altamente provável no caso apresentado. O diagnóstico da pancreatite aguda é feito pela presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética). A solicitação de provas de função hepática (bilirrubinas, TGO, TGP, fosfatase alcalina) é crucial para investigar a etiologia biliar, enquanto amilase e lipase confirmam o envolvimento pancreático. O tratamento da pancreatite aguda é primariamente de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas. Em casos de etiologia biliar, a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) pode ser necessária. O internamento hospitalar é quase sempre obrigatório devido ao risco de complicações. O prognóstico varia conforme a gravidade e a presença de complicações locais ou sistêmicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da pancreatite aguda?

Os sintomas clássicos incluem dor epigástrica intensa, que pode irradiar para o dorso, náuseas, vômitos, distensão abdominal e febre.

Qual a importância da amilase e lipase no diagnóstico da pancreatite aguda?

Amilase e lipase são enzimas pancreáticas que se elevam no sangue em casos de pancreatite aguda. A lipase é geralmente mais específica e permanece elevada por mais tempo que a amilase.

Como a perda ponderal rápida pode estar relacionada à pancreatite aguda?

A perda ponderal rápida, especialmente após cirurgia bariátrica ou dietas restritivas, pode aumentar o risco de formação de cálculos biliares, que são uma das principais causas de pancreatite aguda.

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