Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Fatores de Risco

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 62 anos, hipertenso e dislipidêmico desde 55 anos, etilista desde os 50 anos. Iniciou ingesta alcóolica após demissão de seu trabalho. No último ano, está ingerindo 1 garrafa de cachaça a cada 2 dias, segundo o relato da esposa. É trazido à consulta devido quadro de dor abdominal, sensação de estufamento abdominal, náuseas e vômitos, dor em membros inferiores. Acompanhante relata hábito intestinal regular. A revisão rápida de exames solicitados em consulta anterior revela hipertrigliceridemia com valores de triglicerídeos de 958 mg/dL. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Wernicke-Korsakoff.
  2. B) Volvo intestinal.
  3. C) Pancreatite aguda.
  4. D) Síndrome de Aldoff.
  5. E) Parasitose intestinal.

Pérola Clínica

Etilismo crônico + hipertrigliceridemia (>500 mg/dL) + dor abdominal aguda = Pancreatite Aguda.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda é fortemente sugerida pela tríade de dor abdominal súbita, náuseas/vômitos, e fatores de risco como etilismo crônico e hipertrigliceridemia severa (triglicerídeos > 500 mg/dL ou, mais comumente, > 1000 mg/dL como causa direta). O valor de 958 mg/dL é um fator de risco importante.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, caracterizada por dor abdominal intensa e elevação das enzimas pancreáticas. Sua etiologia é multifatorial, sendo as causas mais comuns a colelitíase e o etilismo. No entanto, a hipertrigliceridemia severa, com níveis acima de 1000 mg/dL (e risco aumentado a partir de 500 mg/dL), é uma causa bem estabelecida e frequentemente subestimada. O diagnóstico baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase e/ou lipase sérica (pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem compatíveis (tomografia computadorizada). A história clínica detalhada, incluindo hábitos de vida como o consumo de álcool e histórico de dislipidemia, é crucial para identificar os fatores de risco e direcionar a investigação. O manejo inicial envolve suporte intensivo, hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas e vômitos. A identificação e tratamento da causa subjacente são fundamentais para prevenir recorrências. Para residentes, é vital reconhecer a apresentação clínica clássica e os fatores de risco, especialmente o etilismo e a hipertrigliceridemia, para um diagnóstico precoce e manejo adequado, evitando complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da pancreatite aguda?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal intensa e súbita, geralmente epigástrica e irradiando para o dorso, acompanhada de náuseas, vômitos e distensão abdominal.

Qual a relação entre hipertrigliceridemia e pancreatite aguda?

Níveis de triglicerídeos acima de 1000 mg/dL (e por vezes acima de 500 mg/dL) podem causar pancreatite aguda devido à hidrólise dos triglicerídeos em ácidos graxos tóxicos para as células acinares do pâncreas.

Como o etilismo crônico contribui para a pancreatite aguda?

O consumo excessivo de álcool é uma das principais causas de pancreatite aguda, promovendo a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas e causando inflamação.

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