Pancreatite Aguda: Diagnóstico Laboratorial Essencial

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 42 anos é encaminhada para o hospital com quadro de dor em andar superior do abdome, irradiada para o dorso associada a um episódio de vômito bilioso há 24 horas. Ela refere que está na fila para realização de colecistectomia devido a colelitíase sintomática. Ao exame físico ela se encontra consciente e orientada, desidratada, e com mucosas ictéricas. Os sinais vitais são: pulso de 110 bpm, frequência respiratória de 22 ipm, pressão arterial de 90 por 40 mmHg, temperatura de 36,2° C e saturação de O₂ de 88. O exame cardiorrespiratório mostra taquicardia e murmúrio vesicular abolido em base pulmonar esquerda. Seu abdome está distendido, com ruídos abdominais diminuídos, timpânico, com dor a palpação, mas sem dor a descompressão brusca e o toque retal não apresenta alterações. O médico plantonista suspeita de pancreatite aguda. Para confirmação diagnóstica o próximo passo é:

Alternativas

  1. A) Solicitar colangiorressonância
  2. B) Solicitar radiografia do abdome
  3. C) Solicitar tomografia de abdome
  4. D) Dosagem das enzimas pancreáticas

Pérola Clínica

Suspeita de pancreatite aguda (dor epigástrica irradiada dorso + vômitos) → Confirmar com dosagem de amilase/lipase sérica.

Resumo-Chave

O diagnóstico de pancreatite aguda baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiada para o dorso, intensa), elevação das enzimas pancreáticas (amilase e/ou lipase) em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. A dosagem das enzimas pancreáticas é o passo inicial e mais direto para a confirmação laboratorial.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de complicações sistêmicas. A etiologia mais comum é a biliar (colelitíase), seguida pelo consumo excessivo de álcool. O quadro clínico típico inclui dor intensa no andar superior do abdome, frequentemente irradiada para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. A paciente do caso apresenta fatores de risco (colelitíase) e sintomas clássicos, além de sinais de gravidade como hipotensão e icterícia. Para o diagnóstico de pancreatite aguda, são necessários pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal sugestiva, elevação das enzimas pancreáticas (amilase e/ou lipase) em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. A dosagem sérica da amilase e lipase é o passo inicial e mais importante para a confirmação laboratorial. A lipase é geralmente considerada mais específica para o pâncreas e permanece elevada por mais tempo do que a amilase. Embora exames de imagem como a tomografia computadorizada (TC) e a colangiorressonância (CPRM) sejam valiosos para avaliar a gravidade, identificar a etiologia (como cálculos biliares) e detectar complicações, eles não são o primeiro passo para a *confirmação diagnóstica* da pancreatite aguda em si. A TC é geralmente reservada para casos de dúvida diagnóstica ou para reavaliar o paciente após 48-72 horas, quando as complicações necróticas e coleções líquidas são mais bem visualizadas. Portanto, a dosagem das enzimas pancreáticas é a conduta inicial para confirmar a suspeita.

Perguntas Frequentes

Quais são os três critérios para o diagnóstico de pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (TC ou RM).

Qual a importância da dosagem de amilase e lipase na pancreatite aguda?

A dosagem dessas enzimas é crucial para a confirmação laboratorial da pancreatite. A lipase é geralmente mais específica e permanece elevada por mais tempo que a amilase, sendo preferível em muitos casos.

Quando a tomografia computadorizada é indicada na pancreatite aguda?

A TC é indicada para avaliar a gravidade da pancreatite, identificar complicações como necrose, coleções líquidas ou pseudocistos, e em casos de dúvida diagnóstica. Geralmente, é realizada após 48-72 horas do início dos sintomas para melhor visualização das complicações.

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