IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020
Paciente de 45 anos, etilista, dislipidêmico, diabético, com peso de 140 kg, 1,80m dá entrada no pronto atendimento devido a dor no andar superior do abdome de forte intensidade, associado a náuseas, distensão epigástrica, inapetência. Ao exame físico encontra-se taquicardíaco, taquipneico e desidratado. Paniculo adiposo espesso prejudicando exame físico. Dor intensa a palpação de epigástrio. Marque a alternativa correta a respeito das afirmações a seguir:
Alça sentinela em RX de abdome → sugestiva de inflamação adjacente (ex: pancreatite).
A 'alça sentinela' é um sinal radiológico inespecífico, mas sugestivo de inflamação intra-abdominal localizada, como na pancreatite aguda, onde se observa dilatação isolada de uma alça intestinal (frequentemente cólon transverso ou jejuno) próxima ao processo inflamatório. Este achado pode ser detectado em radiografias simples de abdome.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e alta mortalidade. Caracteriza-se por dor abdominal superior intensa, frequentemente irradiando para o dorso, associada a náuseas, vômitos e distensão abdominal. Fatores de risco comuns incluem colelitíase, etilismo, hipertrigliceridemia e obesidade. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico do paciente. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se em critérios clínicos (dor abdominal típica), laboratoriais (elevação de amilase e/ou lipase sérica >3x o limite superior da normalidade) e de imagem. A radiografia simples de abdome, embora não seja diagnóstica de pancreatite, pode revelar sinais indiretos como a 'alça sentinela' (dilatação de uma alça intestinal próxima ao pâncreas) ou o 'sinal do cólon cortado' (interrupção do gás no cólon transverso), que sugerem inflamação peripancreática. Estes achados, embora inespecíficos, podem auxiliar na suspeita clínica em um contexto de abdome agudo. Exames de imagem como a ultrassonografia abdominal são importantes para investigar a etiologia (especialmente biliar) e a tomografia computadorizada com contraste é o padrão ouro para avaliar a extensão da necrose e complicações. Em pacientes obesos, a ultrassonografia pode ser limitada, mas ainda deve ser tentada para buscar colelitíase. O tratamento é principalmente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e manejo das complicações. É fundamental para o residente reconhecer os sinais e sintomas, solicitar os exames corretos e iniciar o manejo adequado para otimizar os resultados.
A 'alça sentinela' é um sinal radiológico observado em radiografias simples de abdome, caracterizado pela dilatação isolada de uma alça intestinal (geralmente jejuno ou cólon transverso) adjacente a um processo inflamatório. Na pancreatite aguda, indica um íleo localizado reflexo à inflamação pancreática e peripancreática.
Não, a elevação da amilase sérica, embora sugestiva, não é suficiente para o diagnóstico isolado de pancreatite aguda. Ela deve ser interpretada no contexto clínico e associada à dor abdominal característica e/ou achados de imagem. A amilase pode estar elevada em outras condições abdominais e não abdominais, e a lipase é geralmente mais específica.
A ultrassonografia abdominal pode ter sua sensibilidade limitada em pacientes obesos devido à dificuldade de penetração do feixe sonoro. No entanto, ainda é um exame valioso para identificar a etiologia biliar da pancreatite (colelitíase, coledocolitíase), que é uma das causas mais comuns, e deve ser realizada sempre que possível.
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