Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Sinais de Gravidade

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 45 anos, masculino, deu entrada no PA com dor abdominal, aguda, de instalação súbita, sem pródromos, localizada na porção superior do abdome, com irradiação dorsal e de intensidade moderada a forte, apresentando piora com a alimentação. A dor é acompanhada de náuseas e vômitos incoercíveis. Cerca de três meses atrás, teve dor intensa localizada no hipocôndrio direito, que cedeu com medicação. Negava uso de bebida alcoólica. Ao exame físico, apresentava dor à palpação em hipocôndrio direito e epigástrio com defesa muscular, sem descompressão dolorosa. Havia distensão abdominal e diminuição do RHA. FC 120bpm e PA 8x6 cm de Hg. Sinal de GrayTurner presente e sinal de Cullen ausente. Tal quadro sugere diagnóstico de

Alternativas

  1. A) Colecistite calculosa agudizada.
  2. B) Diverticulite perfurada.
  3. C) Pancreatite aguda.
  4. D) Apendicite com peritonite generalizada.
  5. E) Úlcera perfurada.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda: dor epigástrica súbita irradiação dorsal, náuseas/vômitos, sinais de sangramento (Gray-Turner/Cullen) indicam gravidade.

Resumo-Chave

A dor abdominal súbita e intensa com irradiação dorsal, acompanhada de náuseas e vômitos, é altamente sugestiva de pancreatite aguda. A história prévia de dor em hipocôndrio direito sugere etiologia biliar, e a hipotensão e o sinal de Gray-Turner indicam um quadro grave, com possível necrose e sangramento retroperitoneal.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, frequentemente causada por colelitíase ou consumo excessivo de álcool. É uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos devido ao seu potencial de complicações sistêmicas e alta mortalidade. O reconhecimento precoce dos sintomas e sinais de gravidade é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas, levando à autodigestão do órgão. O diagnóstico é baseado na tríade de dor abdominal característica, elevação de amilase e lipase séricas (pelo menos 3x o limite superior da normalidade) e achados de imagem (tomografia computadorizada). Sinais como Gray-Turner (equimoses nos flancos) ou Cullen (equimoses periumbilicais) indicam hemorragia retroperitoneal e são marcadores de gravidade. O tratamento é primariamente de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva, analgesia, controle de náuseas e vômitos, e suporte nutricional. Em casos de etiologia biliar, a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) pode ser indicada. O prognóstico varia conforme a gravidade, sendo essencial monitorar complicações como necrose, infecção e falência de múltiplos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da pancreatite aguda?

Os sinais e sintomas clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa na porção superior do abdome, com irradiação dorsal, piora com a alimentação, náuseas e vômitos incoercíveis. Ao exame físico, pode haver dor à palpação em epigástrio e hipocôndrio direito, distensão abdominal e, em casos graves, sinais como Gray-Turner ou Cullen.

Qual a importância do sinal de Gray-Turner na pancreatite aguda?

O sinal de Gray-Turner, caracterizado por equimoses nos flancos, indica hemorragia retroperitoneal e é um marcador de pancreatite aguda grave, geralmente associado a necrose pancreática. Sua presença sugere um prognóstico reservado e a necessidade de manejo intensivo.

Como a colelitíase pode causar pancreatite aguda?

A colelitíase é uma das principais causas de pancreatite aguda. Um cálculo biliar pode migrar da vesícula para o ducto biliar comum e impactar na ampola de Vater, obstruindo o fluxo do ducto pancreático e levando à autodigestão do pâncreas por enzimas ativadas prematuramente.

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