UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Menina, 13 anos, é admitida no Setor de Emergência com queixa de vômitos e dor abdominal forte que levam à posição com quadris e joelhos flexionados. Relata que seu início foi súbito, há cinco horas, e que a dor não cessa. Exame físico: posição antálgica; anictérica; discreta distensão abdominal; dor à palpação de todo o andar superior do abdome. US abdominal: colédoco com calibre nos limites superiores da normalidade. Pode-se afirmar que, para confirmar a hipótese diagnóstica mais provável, o exame laboratorial melhor indicado é:
Dor abdominal súbita + vômitos + posição antálgica em adolescente → suspeitar pancreatite aguda. Lipase é o melhor marcador.
A apresentação clínica de dor abdominal intensa e súbita, com vômitos e posição antálgica (quadris e joelhos flexionados), é altamente sugestiva de pancreatite aguda em adolescentes. Embora a amilase também seja elevada, a lipase é mais específica e sensível para o diagnóstico de pancreatite.
A pancreatite aguda em adolescentes, embora menos comum que em adultos, é uma condição séria que exige diagnóstico e manejo rápidos. Sua incidência tem aumentado, e é crucial para o residente reconhecer sua apresentação clínica, que pode ser inespecífica. A dor abdominal intensa, súbita, associada a vômitos e a uma posição antálgica característica, deve levantar a suspeita diagnóstica. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (ultrassonografia, tomografia ou ressonância). A lipase é o marcador laboratorial de escolha devido à sua maior especificidade e sensibilidade pancreática. A ultrassonografia abdominal pode auxiliar na identificação de causas biliares, mas nem sempre mostra alterações pancreáticas iniciais. O tratamento é principalmente de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva, analgesia e repouso intestinal. A identificação e tratamento da causa subjacente são fundamentais. O prognóstico geralmente é bom em casos leves, mas complicações como pseudocistos, necrose pancreática e insuficiência de órgãos podem ocorrer, exigindo manejo em unidade de terapia intensiva. A compreensão desses aspectos é vital para a prática clínica e para as provas de residência.
Os sinais e sintomas mais comuns incluem dor abdominal intensa e súbita, frequentemente no andar superior do abdome, vômitos, náuseas e, em alguns casos, febre. A posição antálgica, com flexão de quadris e joelhos, é um achado clássico.
A lipase é preferível porque é mais específica para o pâncreas, enquanto a amilase pode ser elevada em outras condições (como parotidite ou doenças intestinais). Além disso, a lipase tende a permanecer elevada por um período mais longo, facilitando o diagnóstico em casos de apresentação tardia.
As principais causas incluem trauma abdominal, infecções virais (como caxumba), cálculos biliares, uso de certos medicamentos (como asparaginase), anomalias congênitas do trato biliar e causas idiopáticas. Hipertrigliceridemia também pode ser uma causa.
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