PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015
W.L.D., 45 anos, sexo feminino, professora, apresentou dor abdominal de forte intensidade, contínua, localizada em epigástrio. Ao exame, paciente obesa (índice de massa corporal = 38), com fácies de sofrimento, sudorética e taquicárdica. Abdome doloroso, com irritação peritoneal. Amilasemia elevada. Em relação a este caso, assinale a alternativa ERRADA:
Pancreatite aguda: níveis de amilase/lipase NÃO se correlacionam com a gravidade ou prognóstico.
A elevação das enzimas pancreáticas (amilase e lipase) é crucial para o diagnóstico da pancreatite aguda, mas sua magnitude não reflete a gravidade da doença. Fatores como obesidade e etiologia biliar (sugerida por ALT/AST elevadas) são indicadores prognósticos mais relevantes.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de morbimortalidade significativa. Sua etiologia mais comum é biliar ou alcoólica, e a identificação precoce dos fatores de risco e prognóstico é crucial para o manejo adequado. A apresentação clínica típica envolve dor abdominal intensa, frequentemente em epigástrio, irradiando para o dorso, acompanhada de náuseas, vômitos e, em casos graves, sinais de irritação peritoneal. O diagnóstico baseia-se na clínica, elevação de enzimas pancreáticas (amilase e lipase) e achados de imagem. É fundamental compreender que a magnitude da elevação da amilase ou lipase não se correlaciona com a gravidade da doença, sendo mais útil para o diagnóstico. Fatores como obesidade, idade avançada, presença de falência orgânica e achados de necrose na tomografia são indicadores de pior prognóstico. A elevação de ALT/AST nas primeiras 24h sugere etiologia biliar. O tratamento é primariamente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas. A identificação da etiologia é importante para prevenir recorrências, como a colecistectomia em casos de pancreatite biliar. O manejo da dor é essencial, e embora a morfina tenha sido historicamente evitada devido ao espasmo do esfíncter de Oddi, evidências atuais sugerem que seu uso é seguro e eficaz para o alívio da dor intensa.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase ou lipase sérica em pelo menos 3 vezes o limite superior normal, e achados de imagem compatíveis.
A obesidade está associada a um maior risco de necrose pancreática, falência orgânica e complicações sistêmicas, resultando em pior prognóstico e maior mortalidade na pancreatite aguda.
Embora a morfina possa causar espasmo do esfíncter de Oddi in vitro, estudos clínicos não demonstraram piora do curso da pancreatite aguda. Outros opioides como a meperidina eram preferidos, mas a morfina é aceitável se a dor for intensa.
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