Pancreatite Aguda: Hipertrigliceridemia como Etiologia

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

Homem diabético em uso irregular das medicações, obeso, 45 anos, se apresenta ao hospital com dor mesogástrica crescente com irradiação para o dorso, associada a náuseas. Nega uso de álcool. Ao exame físico FC: 110 BPM, restante dos sinais vitais normais; abdome discretamente distendido e doloroso a palpação em região mesogástrica, sem irritação peritoneal, ruídos hidroaéreos reduzidos. Laboratorio: amilase 420 U/I (VR < 132 U/L); lipase 1.800 (VR < 52 U/L). USG de abdome: infiltração gordurosa do fígado, vesícula biliar normal, vias biliares sem dilatação, pâncreas discretamente aumentado de tamanho com presença de pequena quantidade de líquido peripancreatico. Qual das opções abaixo é a etologia mais provável para a pancreatite desse paciente?

Alternativas

  1. A) Medicamentoso.
  2. B) Pancreas divisium.
  3. C) Auto-imune.
  4. D) Biliar.
  5. E) Hipertrigliceridemia.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda com triglicerídeos > 1000 mg/dL (ou > 500 mg/dL com outros fatores) = etiologia hipertrigliceridemia.

Resumo-Chave

Em um paciente obeso, diabético, com dor abdominal clássica de pancreatite e elevação acentuada de amilase e lipase, a ausência de cálculos biliares ou uso de álcool, somada a um perfil metabólico alterado, sugere fortemente hipertrigliceridemia como causa, especialmente se os níveis estiverem muito elevados.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, com etiologias variadas. Embora a colelitíase e o alcoolismo sejam as causas mais comuns, a hipertrigliceridemia é uma etiologia crescente, especialmente em pacientes com síndrome metabólica, diabetes e obesidade. É crucial para o residente considerar essa causa, pois o manejo pode diferir. A fisiopatologia da pancreatite por hipertrigliceridemia envolve a hidrólise excessiva de triglicerídeos pela lipase pancreática, liberando ácidos graxos livres que são tóxicos para as células acinares e o endotélio capilar, levando à inflamação e necrose pancreática. Níveis de triglicerídeos geralmente acima de 1000 mg/dL são associados a essa condição. O diagnóstico é feito pela tríade de dor abdominal característica, elevação de amilase/lipase e achados de imagem compatíveis, na ausência de outras causas e com níveis de triglicerídeos muito elevados. O tratamento envolve medidas de suporte, controle da dor, hidratação e, crucialmente, a redução rápida dos triglicerídeos, que pode incluir insulinoterapia, heparina ou plasmaférese em casos graves.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de pancreatite aguda?

As principais causas são cálculos biliares (colelitíase) e alcoolismo. Outras causas importantes incluem hipertrigliceridemia, medicamentos, hipercalcemia, trauma, infecções e causas autoimunes.

Como a hipertrigliceridemia causa pancreatite aguda?

Níveis muito elevados de triglicerídeos (>1000 mg/dL) levam à hidrólise dos triglicerídeos pela lipase pancreática, liberando ácidos graxos livres tóxicos que danificam as células acinares do pâncreas, desencadeando inflamação.

Qual o valor de triglicerídeos que sugere pancreatite por hipertrigliceridemia?

Geralmente, níveis séricos de triglicerídeos acima de 1000 mg/dL são considerados um fator de risco significativo para pancreatite aguda. Em alguns casos, valores acima de 500 mg/dL, associados a outros fatores, podem ser relevantes.

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