MedEvo Simulado — Prova 2025
João Silva, 52 anos, sexo masculino, gerente de vendas, procurou o pronto-socorro com quadro de dor abdominal súbita e intensa, em faixa, irradiando para o dorso, acompanhada de náuseas e múltiplos episódios de vômito. Relata consumo frequente de álcool e histórico de colelitíase. Ao exame físico, apresenta-se obeso (IMC 35 kg/m²), taquicárdico (FC 115 bpm), hipotenso (PA 90/60 mmHg), com abdome distendido e doloroso à palpação em andar superior, além de sinal de Cullen incipiente. Exames laboratoriais iniciais revelam lipasemia elevada em três vezes o limite superior da normalidade e leucocitose. Em relação a este caso de pancreatite aguda, assinale a alternativa INCORRETA:
Amilase/lipase ↑ não correlaciona com gravidade da pancreatite aguda; são diagnósticos, não prognósticos.
Embora a elevação de amilase e lipase seja diagnóstica para pancreatite aguda, seus níveis séricos não se correlacionam diretamente com a gravidade da doença ou com o prognóstico, não devendo ser utilizados para estratificação de risco ou indicação de UTI.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e falência de múltiplos órgãos. O diagnóstico é estabelecido pela presença de dor abdominal característica (epigástrica, em faixa, irradiando para o dorso), associada à elevação de amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e/ou achados de imagem compatíveis. As etiologias mais comuns são a litíase biliar e o consumo de álcool, como no caso apresentado. A avaliação da gravidade é crucial para o manejo. Fatores como obesidade (IMC > 30 kg/m²), idade avançada, presença de falência orgânica e necrose pancreática são indicadores de pior prognóstico. Escores como o de Ranson, APACHE II ou o escore de gravidade da TC (Balthazar) são utilizados para estratificação. É importante ressaltar que, embora a amilase e a lipase sejam essenciais para o diagnóstico, seus níveis séricos não se correlacionam diretamente com a gravidade da doença e não devem ser usados isoladamente para determinar o prognóstico ou a necessidade de internação em UTI. O manejo inicial da pancreatite aguda inclui suporte intensivo, hidratação venosa agressiva, analgesia adequada (opioides são seguros e eficazes, sem preocupação com espasmo do esfíncter de Oddi), e nutrição. A identificação e tratamento da causa subjacente, como a colecistectomia precoce para pancreatite biliar leve, são fundamentais.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, em faixa, irradiando para o dorso); elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade; e achados característicos em exames de imagem.
As duas etiologias mais comuns da pancreatite aguda são a litíase biliar (cálculos na vesícula biliar que obstruem o ducto biliar comum) e o consumo excessivo de álcool. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma e medicamentos.
A obesidade é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de pancreatite aguda e está consistentemente associada a um pior prognóstico, incluindo maior risco de necrose pancreática, falência orgânica e mortalidade, independentemente de outros fatores de risco.
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